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A cisterna da Edilene e do Galego: a experiência agroecológica transformadora

Jadson Guedes dos Reis, mais conhecido como “Galego”, mora há 8 anos com sua esposa Edilene no Projeto de Assentamento Nova União, que fica no extremo norte do Estado do Tocantins, na cidade de Araguatins. No seu pedacinho de terra, o casal tem de tudo: cheiro verde, alface, couve, quiabo, maxixe, melancia, mogno, açaí, maracujá. limão, goiaba, rúcula, laranja, milho, pimenta de cheiro, tomate, feijão, gergelim. Além de tudo isso, eles ainda cuidam de alguns porcos e têm criação de galinhas. É uma coisa linda de se ver! Mes nem sempre as condições foram tão favoráveis assim.

Antes da felicidade de terem sido sorteados para receber o lote, Galego e Edilene passaram 12 anos trabalhando “em terra alheia”, como comenta Edilene, tendo que obedecer a ordens de patrão. Depois disso, ainda enfrentaram mais 3 anos acampados em beira de estrada, sofrendo muito preconceito por conta dessa situação.

E até hoje lembram bem de como era o lugar quando chegaram: o lote que hoje produz de tudo, no começo, era apenas braquiária, apenas pasto. Mas com muito trabalho, aos poucos a vida do casal foi melhorando. E algo que ajudou muito a Edilene e o Galego a chegarem onde estão, apareceu há um ano e meio atrás: a oportunidade de ter uma cisterna!

Com a ajuda da APA-TO (Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins), através do programa ECOFORTE foi possível obter a cisterna de placas e aprender como construí-la. Com o apoio de técnicos e de pessoas da comunidade que se reuniram em um mutirão, de pouco em pouco a cisterna foi tomando forma. Com 1,5 m de profundidade, essa alternativa simples e moderna tem capacidade de armazenar até 52 mil litros de água. A água da chuva é coletada através de um calçadão de 10 m² de área e da calha do telhado da casa, que são ligados por canos até a cisterna, que se torna um reservatório muito grande, capaz de manter a plantação durante o verão, quando a chuva é mais escassa. A água coletada é retirada da cisterna por meio de uma bomba e chega até os canteiros através de um sistema de irrigação por gotejamento, que também ajuda a economizar água e é muito eficaz.

Não há dúvidas que foi uma experiência que transformou a vida do casal. Antes, eles regavam os poucos canteiros que tinham apenas com a água do poço, que não era suficiente. Além disso, tinha todo o trabalho de ficar enchendo os baldes e ter que esperar o poço minar novamente quando toda a água tinha sido usada. Com a cisterna, eles conseguiram aumentar a produção: passaram de 2 para 10 canteiros, por exemplo. Antes, havia apenas 100 covas de melancia, pois mais do que isso seria impossível dar conta. Com a ajuda da cisterna, só nesse ano, eles já conseguiram colher 700 melancias.

O Galego garante: “Melhorou e foi muito. Não tinha como trabalhar sem ela ter vindo”. Podendo produzir mais, a renda do casal aumentou, pois além de usar os alimentos para consumo próprio, o que ajuda a economizar, porque não é preciso comprar, eles ainda conseguem vender o excedente. Além disso, dá pra ter certeza que a comida é saudável, já que a água que é usada para a irrigação é de boa qualidade e eles não usam nenhum tipo de veneno na produção.

Além de todos esses benefícios, o Galego e a Edilene usaram a criatividade e aproveitaram mais uma oportunidade: com os conhecimentos que tiveram com a construção da cisterna e utilizando a mesma tecnologia de placas, eles fizeram uma piscina que garante o lazer do casal e também dos amigos e da família, quando vêm visitá-los. Fora a diversão, essa piscina é usada também como um reservatório de água para dar de beber aos animais.

Muita coisa mudou na vida do Galego e da Edilene e eles ainda querem chegar mais longe. Os dois comentam sobre o desejo de aumentar ainda mais o número de canteiros e sabem que com a cisterna vão conseguir atingir esse objetivo. E não são só hortaliças que eles querem plantar mais. O casal também deseja ter mais árvores no quintal e ainda estende o seu sonho a outras pessoas, esperando que todos plantem mais árvores, para não haver mais desmatamento e para que possamos todos ajudar a conservar o pouco que nos resta e ainda aumentar a diversidade de plantas.

Leia mais sobre a experiência aqui.



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