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A apicultura dos jovens e do grupo produtivo do São Félix: interação entre famílias e gerações

Logo no início do ano de 1989, no mês de fevereiro, aconteceu algo muito importante para a vida de muitas famílias da cidade de Araguatins, no extremo norte do estado do Tocantins: foi criado o Projeto de Assentamento (PA) Santa Cruz II, que recebe esse nome por conta da fazenda que existia na região antes da terra que era de apenas um fazendeiro se tornar a terra de aproximadamente 280 famílias. Por ser uma área muito grande e para ajudar a interação entre os assentados, o PA foi dividido em setores: São Félix, Campestre, Retiro e Sede. E como o título deste informativo já revela, é sobre algumas famílias do setor São Félix que vamos falar.

Uma dessas famílias é a do Seu Joaquim. O Seu Joaquim foi um dos lutadores, dentre outros, pela criação do PA Santa Cruz II e vive nele até os dias de hoje. Com muita organização e ao lado de outros companheiros, foram várias as dificuldades e perseguições enfrentadas para que hoje ele possa dizer com alegria que criou os seis filhos em um pedacinho de terra que é seu. Além de fazer questão que os filhos e netos saibam e tenham orgulho da história do lugar onde eles moram e trabalham, Seu Joaquim também quis deixar às próximas gerações da sua família um trabalho muito importante, que ele realizou por muitos anos, até a idade já não mais permitir a mesma energia dos tempos da juventude: a apicultura!

É assim, inspirado pelo pai, que o José Irismar, mais conhecido como “Mineiro”, dá continuidade ao trabalho com as abelhas. Com o Seu Joaquim, ele aprendeu tudo o que precisa para ser um bom apicultor: como capturar as abelhas, como dividir os enxames, como identificar a rainha, os cuidados que se deve ter para fazer a colheita do mel. Fora todas essas práticas, ele aprendeu também os motivos de realizar esse trabalho, que é justamente o que o faz continuar na lida. Além do mel ser um alimento muito nutritivo e saudável, que ajuda até a prevenir algumas doenças, a renda que a comercialização do produto traz é muito boa, então a apicultura ajuda demais a aumentar a qualidade de vida de quem a pratica, sendo inclusive até mais vantajosa do que o trabalho com o gado, que exige muito espaço e muito investimento financeiro para trazer resultados razoáveis.

Mas as vantagens não acabam por aí. Existe também um benefício muito importante que o trabalho com as abelhas traz e que não há dinheiro no mundo que pague: a preservação ambiental. Para que as abelhas possam se desenvolver bem e produzir um mel de qualidade, a mata precisa estar preservada e não pode haver o uso de nenhum tipo de veneno nas plantações, que podem matar enxames inteiros. Além de ajudar a manter uma temperatura agradável, a presença da floresta no lote também colabora com a biodiversidade e garante que a polinização, tão importante para a geração de outros tantos alimentos, seja feita.

Um homem vestido de camisa de manga comprida segura uma garrafa de 900ml de mel. Ao fundo, há um tronco de árvore e uma moto preta.

Com tanta coisa boa assim, é claro que o Mineiro não poderia ficar com o conhecimento só para ele. Agora, o seu filho Felipe, de 17 anos, está começando a mexer com a apicultura também e sabe bem da importância de continuar esse trabalho tão bonito, que começou com o avô, passou pelo pai e agora está também em suas mãos. Mas não foi só a família que despertou o interesse da apicultura no coração do garoto. Com um curso de agroecologia promovido pela Associação Escola Família Agrícola (AEFA), ele foi aprendendo ainda mais e também transmite as novidades que descobre ao pai e, assim, um vai ajudando o outro a cuidar dos apiários.

Mas não é só a família deles que trabalha com abelhas no PA. Com o tempo, os apicultores da região foram percebendo que criar um grupo produtivo poderia ajudar bastante a desenvolver melhor a apicultura. Mesmo que cada um tenha seu próprio apiário e trabalhe de maneira individual, o grupo, que conta também com a presença das famílias do Cláudio e do César, é muito importante para trocar saberes e para buscar mercados e parcerias que ajudem na venda do mel e tragam melhorias para a vida de todas as famílias. Além disso, o Felipe não é o único jovem que está começando a praticar apicultura no São Félix. Seu amigo Matheus Indiano e mais dois colegas que também fizeram o curso na EFA estão muito animados com o trabalho e sempre estão com os ouvidos bem abertos a tudo que os apicultores mais experientes do grupo têm a ensinar.

Três garrafas de vidro cheias de mel em cima de uma caixa de madeira. Duas são de 900ml e uma é de 500ml. Ao fundo, tem árvores, chão arenoso e uma casa de alvenaria sem reboco.

E é assim, com essa troca inspiradora de experiências entre diferentes famílias e gerações, que a apicultura do setor São Félix tem se desenvolvido cada vez mais e está ajudando a realizar o sonho que é comum a todos os apicultores mais antigos da região: que a juventude permaneça no campo e reconheça a alegria que é tirar o sustento de uma terra que é sua!

Confira o informativo dessa experiencia aqui.



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