Articulação lança, nesta quarta-feira, a segunda fase do Dossiê Agro É Fogo: Os incêndios não terminaram – A casa de povos e comunidades tradicionais continua queimando

Nesta quarta-feira (24), às 19h (Horário de Brasília), a Articulação Agro É Fogo lançará, durante live nos canais do youtube da Mídia Ninja e da Comissão Pastoral da Terra, o Dossiê Agro É Fogo: Os incêndios não terminaram – A casa de povos e comunidades tradicionais continua queimando.

Nessa segunda fase do Dossiê Agro É Fogo, o documento ressalta, mesmo em período de pandemia, a continuidade do uso do fogo como arma para expulsão das comunidades de seus territórios, endossada pelo governo Bolsonaro. Isso sustenta o avanço da grilagem de terras, do desmatamento, da destruição dos saberes tradicionais, e do alastramento da fome, da seca e da mudança climática em todo o país.

“E estamos assim, com essas dificuldades de saúde justamente por causa do fogo e por causa dessa fatalidade que aconteceu no nosso Pantanal. Com isso que passamos nós não temos quase peixes, não temos iscas; as plantas que a gente planta, se a gente não tá em cima não vai para frente, porque a terra está seca, sem vida e a gente tá aí vivendo de apoiadores”, conta dona Leonida, da comunidade tradicional pantaneira Barra de São Lourenço, no município de Corumbá (MS), onde a chuva de cinzas, originada nos incêndios das fazendas ao redor, gerou problemas de saúde e de escassez de alimentos.

Composta por seis artigos analíticos, o Dossiê conta com a participação de movimentos sociais, organizações e especialistas que discutem, com profundidade crítica, o que está por trás da expansão das fronteiras do agronegócio e da mineração. Além disso, sete casos de conflitos exemplificam como essas problemáticas ganham forma no chão dos territórios, interferindo não só nos meios de vidas de povos e comunidades tradicionais, como também na qualidade de vida de quem está na cidade. [Veja ao final a lista de conteúdos do dossiê]

Por direitos territoriais como imperativo ético de uma reforma agrária no país, o material do Dossiê Agro é Fogo – fase 2 foi composto por dados, pesquisa extensa e depoimentos de quem têm defendido as florestas e matas nativas com seus próprios corpos, e enfatiza: os incêndios não são fatos isolados e sazonais. 

Agro é fome

Em dezembro de 2020, quando o auxílio emergencial ainda estava sendo pago em função da pandemia, 116,7 milhões de pessoas – 55% da população brasileira – conviviam com algum grau de insegurança alimentar, isto é, fome ou risco de fome. É o pior índice desde 2004.

A ampliação da fome é proporcional ao avanço do agronegócio, conforme discute o Dossiê Agro é fogo – fase 2, e isso se alia estruturalmente ao perfil de produção agroalimentar no Brasil. A área em que se deveria plantar os alimentos presentes no dia a dia da população foi reduzida na última década para dar lugar à concentração de commodities de soja e milho, que representam 88% da última safra de grãos do país. Apesar das safras recordes, o brasileiro passa fome.

“O enfrentamento à insegurança alimentar e nutricional exige romper com o padrão hegemônico do agronegócio, estabelecendo um novo referencial de produção e consumo, pautado pelos princípios da Agroecologia e dos bens comuns, promovendo assim caminhos para a soberania alimentar”, afirmam os pesquisadores Diana Aguiar e Sílvio Isoppo Porto, em texto no Dossiê Agro é fogo.

A Articulação Agro É Fogo

A Articulação AGRO é FOGO é uma rede que reúne cerca de 30 movimentos, organizações e pastorais sociais que atuam há décadas na defesa da Amazônia, Cerrado e Pantanal, e seus povos e comunidades tradicionais. Ela surge como reação aos incêndios florestais que assolaram o Brasil nos últimos dois anos.

Diante do acontecimento violento do Dia do Fogo, em 2019, aos incêndios que devastaram o Pantanal em 2020, assistimos atônitos a um governo federal que mente sobre as causas e sobre a sua própria responsabilidade no ocorrido. Isso move a Articulação não somente à necessidade de qualificar o debate público, mas, sobretudo, ir além das imagens de satélite e números de desmatamento, trazendo a dimensão do que é vivido no chão das floresta e dos sertões, e da importância da sociobiodiversidade pelo direito à vida.

Lançamento da segunda fase do Dossiê “Agro é Fogo: Os incêndios não terminam – A casa de povos e comunidades tradicionais continua queimando”.

Dia: 24/11 (quarta-feira)

Hora: 19h

Local: Mídia NINJA – YouTube (https://www.youtube.com/c/MídiaNINJAoficial)

Comissão Pastoral da Terra – Facebook (https://www.facebook.com/CPTNacional/)

Agro é Fogo – Facebook (https://www.facebook.com/agroefogo/)

Conteúdos do dossiê Agro é Fogo

ARTIGOS

AGRO é FOME: a erosão da agrobiodiversidade e das culturas alimentares, de Sílvio Isoppo Porto e Diana Aguiar

A EXPANSÃO DA MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS: a boiada com casco de ferro e de ouro, de Luis Ventura

FOGO NO PANTANAL: é a casa das comunidades tradicionais pantaneiras que queima, de Cláudia Sala de Pinho

ACORDO UNIÃO EUROPEIA-MERCOSUL: combustível da devastação da Amazônia, Cerrado e Pantanal, de Maureen Santos

MINERAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO SUBDESENVOLVIMENTO: as fronteiras Minas-Bahia e Amazônia Oriental, de Tádzio Peters Coelho, Gustavo Iorio e Charles Trocate

RESISTINDO AOS INCÊNDIOS: saberes tradicionais nas brigadas indígenas no Tocantins, de Antônio Veríssimo da Conceição, Eliane Franco Martins e Jeovane Gomes Nunes

CONFLITOS:

[Amazonas | Amazônia] Apurinã de Valparaíso: sem acesso aos direitos territoriais, de Ivanilda Torres dos Santos e Antonia Silva (Cimi)

[Maranhão | Amazônia] Invasões na Terra Indígena Araribóia: violência, desmatamento e incêndios, de Gilderlan Rodrigues da Silva e Lucimar Ferreira da Silva (Cimi)

[Bahia | Cerrado-Caatinga] Avanço da fronteira agrícola, domínio das águas e os conflitos territoriais em Piatã, da Frente Socioambiental de Piatã

[Mato Grosso do Sul | Pantanal] Temporal de cinzas na Comunidade Tradicional Pantaneira Barra de São Lourenço, de Cláudia Sala de Pinho (Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira)

[Mato Grosso | Amazônia] Pré-assentamento Boa Esperança resiste contra grileiro, de Elizabete Fatima Flores e Luana Carina Bianchin (CPT)

[Maranhão | Cerrado] Território Cocalinho: quilombolas na resistência ao fogo do agronegócio , de Leandro Santos

[Maranhão | Cerrado] Território Jaqueira: comunidades camponesas contra um império do agronegócio, CPT MA