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Juventudes do campo


Inovação tecnológica beneficia as famílias da Comunidade Olho D´Agua

20 famílias da comunidade são beneficiadas com tratorito propiciando autonomia, melhores condições de trabalho e renda, especialmente, para as mulheres quebradeiras de coco babaçu

As famílias da Comunidade Olho D´agua, do município de São Miguel, há anos produzem hortaliças agroecológicas, nas áreas de babaçuais, como meio de garantir uma alimentação diversificada e saudável  e geração de renda.

Nesse final de semana, as famílias foram beneficiados com um tratorito com encanteirador  doado pela APA-TO. E ocorreu a primeira capacitação para o seu manuseio, envolvendo as mulheres quebradeiras de coco, os agricultores, assim como  os jovens e as jovens da comunidade. O tratorito é um tipo de trator de pequeno porte adequado às condições da agricultura familiar camponesa, uma vez que apresenta um valor mais acessível, baixo custo de manutenção, fácil manuseio e porte adequado para trabalhar em pequenas áreas.

A chegada do tratorito na comunidade beneficiou todas as famílias e, especialmente, as mulheres quebradeiras de coco, gerando autonomia no preparo dos canteiros das hortas e melhoria nas condições de trabalho. O preparo manual do canteiro é uma atividade que demanda tempo e esforço físico desgastante.

Segundo, a quebradeira de coco Maria Silvânia  “Foi muito bom  o tratorito chegar na nossa comunidade. Antigamente a gente trabalhava manual, cavava o canteiro com enxada e a gente passava três dias para fazer 3 canteiros e agora a gente faz 6 canteiros só na manhã e no ponto de plantar na parte da tarde. E antes, precisava da ajuda dos homens pra poder fazer o canteiro, pois com o chã muito duro, a gente não tinha força para fazer os canteiros da horta. E agora, a gente mesmo aprendeu a manusear o tratorito, isso foi muito importante porque a gente não precisa ficar esperando mais o marido para fazer o canteiro para gente”.

Outro aspecto levantado pelas famílias é que com a possibilidade de construir mais canteiros, isso impactará na geração de renda como comenta a quebradeira de coco Ivanilde da Paixão. “Com o tratorito, a nossa renda vai melhorar, porque ao invés de fazer um só canteiro, vamos poder fazer dois, três, quatro canteiros e também vamos fazer um fundo rotativo solidário. Vamos pagar o valor do tratorito para poder depois esse dinheiro ficar rodando entre as famílias da comunidade, para fazer uma estufa que daqui a pouco iremos precisar, no período das chuvas. Hoje, não temos condições de fazer as estufas, mas com esse dinheiro,  no ano que vem vamos poder fazer a estufa com o dinheiro do fundo”.

A partir do recebimento do tratorito, as família da comunidade resolveram criar um fundo rotativo solidário, como uma alternativa que possibilita o investimento em outras atividades e estruturas necessárias para a melhoria das atividades produtivas agroecológicas. É considerado um fundo porque mobiliza recursos financeiros ou outros recursos, é rotativo, porque ele gira e beneficia todas as famílias envolvidas e é solidário, porque as famílias se comprometem a ajudar o próximo. As regras de funcionamento e gestão do fundo estão sendo discutidas e construídas coletivamente pelas famílias da comunidade.

 

Clique aqui e veja o vídeo do trabalho desenvolvido:

 

 


Pesquisa sobre juventudes rurais do Bico do Papagaio, no Tocantins, tem lançamento nesta quinta (15)

Diagnóstico entrevistou 245 jovens do extremo norte do estado do Tocantins e revelou que juventudes rurais querem ficar no campo, mas falta a efetivação de políticas públicas

Quais são os sonhos das juventudes em relação à sucessão do trabalho e a vida no campo? Jovens rurais do extremo norte do Tocantins conheceram mais da sua própria realidade através da participação e da construção do Diagnóstico das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio. O resultado da pesquisa será lançada em um vídeo animado e uma cartilha, no próximo dia 15 de outubro, a partir das 19h, na internet no endereço: http://bit.ly/youtubeapato.

A agricultura é atividade principal no território do Bico do Papagaio. “Há muito tempo as organizações e os movimentos sociais do território têm a preocupação da sucessão rural. No trabalho com as juventudes, buscamos dados, mas o que conseguimos eram mais nacionais, não tínhamos informações da região. Então, achamos que era pertinente entender melhor as juventudes do Bico, o que estavam pensando, quais seus desafios. E isso motivou a fazer o diagnóstico”, explica Selma Yuki Ishii, coordenadora do projeto Juventudes e Agroecologia em Rede, executada pela APA-TO. 

 Reunião com o grupo focal da juventude

O diagnóstico levantou e analisou informações relativas às condições e modos de vida das juventudes, com o objetivo de também encontrar lacunas e potencialidades para a construção de estratégias de ação para e com as juventudes rurais. Participaram 245 adolescentes e jovens quebradeiras de coco babaçu, quilombolas, assentados e assentadas da reforma agrária, agricultores familiares e sem terra. Além de mães, pais e familiares dos jovens, professores da Escola Família Agrícola Padre Josimo e lideranças de organizações e movimentos sociais e ligadas às juventudes. O trabalho coordenado pela APA-TO, o GT das Juventudes Rurais, a Rede Bico Agroecológico e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com o apoio da agência de cooperação alemã Misereor.

Para Jorge Luís Roberto Lima, de 23 anos, do acampamento Padre Josimo, em Carrasco Bonito, o processo de construção do diagnóstico foi um grande aprendizado. “Com pesquisa a gente pode conhecer mais a realidade das outras juventudes porque cada território é uma experiência diferente. E percebemos que a gente tem algo muito em comum que é enfrentar as dificuldades aos acessos aos direitos e as políticas públicas”, afirma o jovem, que também é estudante de serviço social, integrante do GT das Juventudes Rurais do Bico e militante do MST. 

DIAGNÓSTICO

A maior parte dos jovens entrevistados são de famílias que trabalham na terra e se revelaram grandes defensoras e disseminadoras da agroecologia. No entanto, a maioria não sente que seu trabalho é reconhecido e valorizado e muitas vezes é considerado apenas uma ajuda para a família. Entre as juventudes rurais do Bico do Papagaio existe um forte desejo de permanecer no campo, representando 72% dos entrevistados. Ainda, 18% afirmaram não saber se desejam ou não permanecer; e somente 10% afirmaram não querer ficar no meio rural.

E na voz das próprias juventudes, o que contribui para permanência no campo são o sentimento de pertencimento, poder participar dos espaços de decisão, melhorar a relação entre jovens e adultos, a maior aceitação por parte dos pais, avós e lideranças dos interesses dos jovens, melhores condições de vida com políticas públicas, escoamento da produção, cursos de agroecologia, renda própria, maior controle sobre o próprio tempo, acesso à terra e espaços de lazer.

LANÇAMENTO

Todo o resultado do diagnóstico foi sistematizado em um vídeo e uma cartilha, com a técnica da relatoria gráfica, com o objetivo de contribuir para a partilha desse conhecimento sobre a realidade local com outros jovens. O lançamento será na internet, ao vivo, aberto ao público, no Encontro de Lançamento da Pesquisa sobre as Juventudes Rurais do Bico do Papagaio, e contará com a participação de jovens do GT das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio e das organizações realizadoras. “Vamos construir o encontro esperando ter a maior participação de pessoas possíveis, e especial dos jovens. Vamos fazer de uma forma dinâmica e que seja inclusiva, que dê pra todo mundo se sentir no momento, tentando reproduzir o máximo como se fosse no presencial”, explica Jorge Luiz, uma das vozes que narra o vídeo.



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