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O galinheiro bioconstruído do Luís e da Solinete: solução simples que traz resultado

O ano de 1999 pode ter sido só mais um ano comum na vida de muitas pessoas. Mas, esse não é o caso da família do Luís Soares de Almeida. Logo no primeiro mês desse ano, ele e a esposa, Solinete Almeida de Souza, tiveram a alegria de ver o Projeto de Assentamento Santa Juliana ser criado. O que antes era a fazenda de um único dono, hoje é local de moradia e motivo de orgulho de 100 famílias. E é ali, em uma porção deste pedaço de terra em Axixá do Tocantins, que o casal vive com os dois filhos e passa dia e noite cuidando da roça, da horta e de suas galinhas.

Uma coisa, portanto, que nunca faltou na vida do Luís e da Solinete é trabalho. Cuidar da terra e de animais é uma tarefa que exige muita dedicação e vontade de aprender a todo tempo. E foi desse jeito que o casal descobriu como poderia melhorar sua criação de galinhas e resolveu testar uma experiência nova, até então desconhecida, mas que já fez muita diferença na vida deles: um galinheiro bioconstruído.

A diferença entre uma construção normal e a bioconstrução é que a bioconstrução causa bem menos impacto no meio ambiente e utiliza materiais com um custo mais baixo. E é justamente isso que a gente vê no quintal do Luís e da Solinete. Se antes as galinhas eram criadas soltas no terreno, hoje, além de um espaço cercado reservado para elas, ainda há o galinheiro bioconstruído, que é dividido em três partes: uma para as galinhas botarem e chocarem os ovos, outra para as mais jovens dormirem, e uma terceira, utilizada quando é necessário separar alguma galinha que está choca.

Ele foi feito em dois dias, em um mutirão que contou com a ajuda de um técnico e de várias famílias da comunidade. O principal material utilizado foi o bambu. Diferentemente de outras árvores, o quando o bambu é retirado, ele logo se renova. Se outro tipo de madeira fosse cortado das matas, haveria um impacto ambiental muito grande.

Além disso, o bambu é mais leve e pode ser cortado com ferramentas muito simples, então não é preciso contratar outras pessoas para fazer esse tipo de mão de obra. Antes de serem fincadas no chão para se tornarem as paredes do galinheiro, cada peça de bambu passou por um tratamento para evitar o ataque de brocas e aumentar a durabilidade.

Além do bambu, alguns troncos de palmeira também foram usados para ajudar a dar a sustentação da estrutura, que conta com um único elemento não-natural: garrafas PET, que em outras situações seriam descartadas e gerariam outros problemas ambientais. As garrafas foram utilizadas para revestir os pés dos bambus, na parte em que há contato com a terra, para ajudar a proteger e durar mais tempo, e também para fazer as amarras de uma peça na outra. Depois de pronta a estrutura, ela foi coberta com palha de palmeira de babaçu e o piso foi feito de solo cimento, que é uma mistura de terra argilosa com cimento numa proporção 10:1.

Mesmo sendo algo muito simples, a Solinete garante: “deu resultado e ainda vai dar muito mais”. Quando as galinhas eram criadas soltas, era comum haver ataques de outros bichos. Agora, elas ficam bem mais protegidas e já não existe mais esse problema, o que é bom, porque economiza tempo da família, que não precisa mais ficar correndo atrás das galinhas para protegê-las do perigo, e também porque não prejudica a produção, mesmo que a família crie as galinhas para consumo próprio e raramente venda para outras pessoas.

Além disso, as galinhas agora têm onde se abrigar da chuva, porque o galinheiro é coberto, o que as faz crescer de forma mais confortável e saudável. É importante dizer que as 100 galinhas que o Luís e a Solinete criam são caipiras, que são muito mais sadias que as galinhas de granja. que sempre recebem muitos hormônios e são tratadas com muitos remédios artificiais. Desse jeito, a criação ajuda a manter a segurança alimentar e a saúde do casal e dos seus filhos. Junto com todos esses benefícios, o que melhorou também foi a renda da família, que já não precisa mais comprar ovos e galinhas no mercado para se alimentar.

Com todas essas melhorias que o galinheiro feito com bioconstrução trouxe para a vida do Luís e da Solinete, não é difícil deduzir que eles pretendem aumentar ainda mais a área, para trazer cada vez mais qualidade de vida para toda a família. Alé disso, o sonho se estende às futuras gerações e a toda a comunidade, já que seu Luís gostaria muito que seus filhos e netos continuassem com a criação das galinhas e que outras pessoas pudessem se inspirar na experiencia dele e da esposa.

E como diria o ditado, “de grão em grão, a galinha enche o papo”. E é assim também, de pouquinho em pouquinho, que vamos tornando nosso mundo um lugar melhor.

Para ver o informativo sobre essa experiência, clique aqui.


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A horta agroecológica da Emília: qualidade de vida e autonomia da mulher

Emília Alves da Silva Rodrigues vive há 46 anos na cidade de São Miguel do Tocantins, que fica na região do Bico do Papagaio, no extremo norte do estado do Tocantins. Desde que chegou, em 1971, viu muita coisa mudar onde ela mora. Logo no início, era praticamente tudo mata virgem, não tinha capoeira e as famílias que por lá chegavam faziam casas e roças onde achavam melhor.

Porém, o tempo foi passando e as coisas foram se complicando, porque a área começou a ser “terra de dono”, que muitas vezes não deixava quem já estava no local antes de continuar a trabalhar e viver. Muitas famílias, inclusive a de Dona Emília, chegaram a ser expulsas da região e tiveram que passar até dois anos foram daquela terra. Mas depois de muita luta e esperança, em 1988, foi criado o Projeto de Assentamento Pontal, que hoje é local de moraria, motivo de orgulho e garantia de produção para 27 famílias.

Viúva há 3 anos e como todos os filhos e netos criados, Dona Emília vive hoje na companhia de uma de suas netas e tira o seu sustento de dentro do próprio quintal. Com muita disposição, ela trabalha dia e noite quebrando coco babaçu, criando galinhas e cuidando com carinho da sua horta. Mas a horta da Dona Emília não é uma horta qualquer. É uma horta agroecológica!

Foi com a ajuda da APA-TO (Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins) que a Emília começou a trabalhar com a agroecologia e, hoje em dia, ela não troca isso por nada. Para ela, trabalhar a terra, reconhecer sua identidade de agricultora agroecológica, é algo que traz muita dignidade.

“Agroecologia é uma escola. Cada dia que você trabalha, você aprende”, disse Dona Emília. E bota aprendizado nisso. Antes, ela costumava usar adubo químico para ajudar as hortaliças a descerem, mas foi percebendo que o efeito era muito temporário e, ainda por cima, ia transformando a terra em pó. Hoje Dona Emília sabe que é muito melhor usar adubos naturais, como o esterco de gado, galinha e de palmeira.

Com eles, as plantas crescem fortes e o solo fica escuro, fofinho o tempo inteiro, além de ter a certeza que seus alimentos não estão sendo contaminados com veneno. Sem o solo sadio, o cheiro verde, o quiabo, a abóbora, o coentro, a cebolinha, a couve, o tomate, o gengibre e a pimenta da horta da emília não conseguiriam se desenvolver bem. Por isso, além de se preocupar com o adubo que coloca nos canteiros, a Dona Emília também aproveita as folhagens das árvores que tem no quintal para fazer a cobertura da terra. Além de também ajudar o solo a ir recuperando seus nutrientes, a cobertura mantém a umidade por mais tempo.

Um exemplo disso é o cultivo da cebolinha, que antes não podia passar um dia sem ser regado que já sofria muito, e hoje em dia, com a ajuda das folhagens, pode aguentar até 3 dias com a mesma rega. E não são só esses os benefícios de fazer a cobertura dos canteiros. Dona Emília foi percebendo também que, com a folhagem na terra, o mato não cresce em volta dos cultivos e isso fez com que ela ganhasse até mais tempo para se dedicar a outras atividades, já que não precisa mais capinar os canteiros.

Sem dúvidas, a horta agroecológica da Emília trouxe muita qualidade de vida para ela e para sua família. Além de consumir um alimento sadio e de qualidade, ela ainda consegue vender seus produtos na feira da cidade, o que leva saúde também para outras famílias e garante o trocadinho do mês no bolso da Dona Emília.

E não foi só na renda e na saúde que a horta fez diferença. Trabalhar com as hortaliças trouxe também para a Emília algo que não tem preço: a autonomia! Foi com o trabalho na terra que ela foi se tornando cada vez mais livre, foi aprendendo a se virar e, com o dinheirinho que junta, não depende de ninguém. Para ela, ser mulher autônoma, que faz a sua renda, que vive a sua vida, que não precisa dar satisfação para ninguém, é bom demais. E com muita firmeza ela diz: “Depois que eu comecei a trabalhar, eu renasci”.

A horta agroecológica foi tão marcante para a vida da Dona Emília que ela sonha em desenvolver seus cultivos cada vez mais, sempre pensando no bem-estar da sua família e da sua comunidade, pela qual ela sente um carinho muito especial. E ela com certeza já está realizando esse sonho, uma vez que, a partir da sua experiência, mais 4 famílias do projeto de assentamento começaram a produzir em seus próprios quintais. E é assim, de pouco em pouco, com pessoas inspirando pessoas, sempre com muita força e esperança, que devemos seguir, buscando sempre correr atrás dos nossos sonhos e fazer do mundo um lugar melhor para todos e todas.

Você pode conferir o informativo aqui.


A cisterna da Francisca: garantia de água boa para consumo

Francisca Pereira Vieira chegou na comunidade Ouro Verde, em Araguatins, no estado do Tocantins, quando tinha 36 anos de idade. Este ano, ela completou 70 primaveras. Não é preciso nem dizer, então, que se tem alguém que conhece bem a história da região, essa pessoa é a Dona Francisca. Morando e trabalhando há 34 anos no mesmo lugar, ela já viu muita coisa mudar. E uma das mudanças mais importantes na vida dela foi a conquista da terra. Junto com a família e com outros companheiros e companheiras de luta, contando sempre com o apoio de sindicatos e movimentos sociais, Dona Francisca e seu esposo Espedito resistiu e persistiu muito até a área onde ela vive hoje ter sido demarcada e regularizada.

Porém, não foram apenas transformações alegres que a Francisca vivenciou. Mesmo estando em um lugar privilegiado, entre os rios Araguaia e Tocantins, algo que sempre foi uma dificuldade, e que vem se complicando cada vez mais, é o acesso à água. Além das alterações no curso dos rios trazidas pela construção de barragens, a distribuição da água é desigual, então grandes fazendeiros e pessoas que têm mais dinheiro, conseguem água com mais facilidade do que pequenos agricultores. E ela sabe que não é só no campo que existe esse apuro. Na cidade, a água é privatizada e custa caro ter acesso a esse recurso.

Mas como a própria Dona Francisca diz sobre sua família e comunidade, “nós somos persistentes na história”. Portanto, ela não podia ficar de braços cruzados e tinha que arranjar um jeito de melhorar a situação, porque caminhar 17km para poder buscar água sempre que precisasse estava se tornando cansativo e exigente demais.

A primeira alternativa encontrada pela Francisca foi construir um poço, que garantiu um pouco mais de água para poder regar as plantas. Mas como a água que vem do poço é salobra, a maior parte do problema ainda não tinha sido resolvida, porque não dava para consumir a água, nem lavar roupa ou dar de beber aos animais. Foi somente em 2015 que a solução chegou de verdade: uma cisterna!

“Nós tivemos duas conquistas que a gente vai morrer e não vai esquecer: uma foi a terra e a outra foi a cisterna”.

Por essa fala da Dona Francisca, dá para perceber bem o valor que essa alternativa tão simples e eficaz tem para a vida dela e da família.

A cisterna foi adquirida com a ajuda da APA-TO (Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins), através do Programa ECOFORTE. Como havia mais de uma família que iria receber a cisterna, perceberam que seria importante haver um curso que ensinasse o passo-a-passo da construção e foi na casa da Francisca que esse curso aconteceu, capacitando muitas famílias de dentro e até mesmo de fora da comunidade. Depois de uma semana limpando a área, cavando o buraco e produzindo as placas, a cisterna pôde finalmente ser usada.

Quanta coisa boa aconteceu de lá pra cá! Além da água da cisterna já ser bem limpinha, a Dona Francisca ainda faz um tratamento com cloro que tira todas as bactérias e deixa a água prontinha para ser consumida. Se antes, quando a família ia visitar, era sempre uma preocupação o abastecimento de água, hoje isso já não esquenta mais a cabeça de ninguém, porque sabem que tem água para todo mundo. E como a cisterna armazena a água que vem da chuva, não é preciso tirar nenhum dinheirinho do bolso. Agora, tem água suficiente para cozinhar os alimentos, beber, lavar as roupas, fazer tudo o que antes dava muito mais trabalho para fazer. Porém, mesmo tendo água em abundância, ela e a família sabem bem da importância de preservar esse recurso e por isso sempre usam com cuidado e nunca desperdiçam.

Os benefícios trazidos pela cisterna foram tantos que trouxeram muitos sonhos para o coração da Dona Francisca. Ela quer desenvolver um sistema de irrigação que faça a água da cisterna chegar diretamente aos pés de cana, cajá, alface, rúcula, gengibre, mamão, açaí, maxixe e pepino que ela tem na horta. Quando realizar esse sonho, ela sabe que vai ficar ainda melhor, porque não vai ser mais necessário a água no balde e vai trazer ainda mais tranquilidade para a vida dela e da família. Mas ela não sonha apenas para si ou para a própria família.

Dona Francisca também gostaria muito que outras pessoas da comunidade tivessem acesso a alternativas como a cisterna, para que pudessem viver com mais saúde e qualidade de vida, e sabe que, para esse sonho se tornar realidade, algo essencial é o compromisso dos nossos governantes com a vida do povo.  Além de tudo isso, ela ainda deixa o recado: “o que a gente tem que fazer é preservar o que a gente conquistou, multiplicar e lutar por outras coisas”. Sigamos o conselho de Dona Francisca.

Você pode acessar o informativo aqui.


Websérie apresenta experiências agroecológicas no Bico do Papagaio

No dia 28 de janeiro de 2021, a Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO) lançará o primeiro episódio da websérie produzida sobre as experiências agroecológicas do Bico do Papagaio. Intitulada “Agroecologia em Rede no Bico do Papagaio”, a websérie tem 13 episódios que serão lançados nas redes sociais da APA-TO toda quinta-feira.

A websérie foi produzida para compartilhar as experiências praticadas pelos agricultores camponeses, quebradeiras de coco e quilombolas que participam da Rede Bico Agroecológico e que deram certo na região do Bico, com alternativas para a produção de alimentos, cuidado com animais, reaproveitamento e armazenamento de água, implantação de cisternas, manejo na apicultura, cuidados com as hortas e também práticas que podem facilitar o manejo de cultivos agroecológicos

O episódio de abertura se chama “Mãe e Filha”, e apresenta a experiência de Katarina da Conceição, uma jovem formada na Escola Família Agrícola e sua mãe, Juscilene. As duas compartilham o terreno de cultivo de vida e de plantas, no Projeto de Assentamento Sete de Janeiro, em Araguatins. Katarina mantém um Sistema Agroflorestal (SAF) ao lado da horta da mãe, e as duas se ajudam no cuidado com as plantas e na troca de saberes. Nada se perde na casa da família, nem as folhas, outrora queimadas, que agora servem para cobertura do solo.

Uma moça está do lado esquerdo da imagem, gesticulando e falando. A mãe da moça está à direita, olhando para ela. Elas duas estão em um ambiente com plantas, como palmeira, milho, verduras em geral

Katarina e Juscilene apresentam a sua experiência agroecológica no primeiro episódio da websérie.

Nas histórias compartilhadas, está presente o desejo por uma vida melhor e de qualidade para quem vive do e no campo. Muitos dos retratados narram a trajetória de trabalhar para outras pessoas, vivendo sujeitos às regras de patrões. Os mais jovens relatam o desejo de construir formas de viver e produzir para poderem permanecer no campo.

As experiências na websérie

Vale ressaltar que na websérie, cada episódio fala de uma experiência, apresentando para os espectadores alternativas acessíveis e sustentáveis para melhorar o dia-a-dia no campo e como é possível viver um modo de vida em harmonia com a biodiversidade. Por exemplo, a reutilização de águas cinzas, que consiste em um sistema de escoamento da água utilizada na casa, para as plantas. Ou então, dicas que podem estar faltando para um iniciante no cultivo de hortaliças, um modelo de canteiros, como o canteiro econômico, que economiza, principalmente, água e tempo do agricultor.

É possível acompanhar a websérie no canal da APA-TO no Youtube, nos perfis do Facebook e Instagram.


16/12/2020

Campanha de Solidariedade distribui alimentos agroecológicos para 6 mil pessoas

Entre os dias 16 e 18 de dezembro, acontece mais uma etapa da Campanha de Solidariedade da Rede Bico Agroecológico. 200 cestas agroecológicas serão distribuídas em Esperantina, Buriti, Axixá, São Miguel, Praia Norte e Carrasco Bonito. Com essa ação, a campanha atingirá cerca de 2 mil famílias da região. As comunidades de São Miguel e Axixá foram as primeiras a receber as cestas.

As cestas são compostas por alimentos produzidos por agricultores familiares e quebradeiras de coco, como tapioca, polpas de fruta, farinha de mesocarpo, farinha de mandioca, feijão e azeite de coco babaçu e serão distribuídas para famílias em situação de vulnerabilidade. Todos os itens da cesta são cultivados livres de agrotóxicos.

Integrante da ASMUBIP entrega cesta agroecológica para um casal. Eles estão em frente à uma casa de taipa, todos os três utilizam máscara.

Entrega das cestas agroecológicas nas comunidades de Axixá. Foto: RedeBico

Em um ano atípico, marcado pela pandemia de coronavírus e das restrições de circulação para conter o avanço do vírus, organizações de agricultores familiares e quebradeiras de coco se reuniram para realizar uma Campanha de Solidariedade que se desenvolveu em dois eixos. O primeiro é o fornecimento de cestas de alimentos agroecológicas e kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade agravada pela pandemia. O segundo eixo é o fortalecimento dos agricultores familiares e quebradeiras de coco do Bico do Papagaio, que também foram afetados.

A coordenadora da Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), Maria do Socorro Teixeira, ressalta a importância dessa ação para todos os beneficiados. “Foi muito bom para os agricultores, que venderam a sua produção, já que não puderam mais ir para a feira vender e principalmente para as famílias que receberam, já que com a pandemia, muita gente perdeu o emprego, e ficou sem ter como comprar alimentos. Nós entregamos alimentos agroecológicos, cultivados sem nenhum veneno, alimentos saudáveis e de qualidade”, ressalta.

Nesta etapa da Campanha, as cestas priorizaram a produção extrativista e tiveram apoio financeiro do Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS/Memorial Chico Mendes e do DGM-Brasil/CAA-NM.

Etapas anteriores da Campanha de Solidariedade da Rede Bico Agroecológico

Até a ação iniciada nesta quarta (16), cerca de 2 mil famílias, contabilizando aproximadamente 6 mil pessoas já foram beneficiadas pela Campanha de Solidariedade. As ações contemplaram 48 comunidades de 13 municípios do Bico do Papagaio.

Montagem das cestas em Carrasco Bonito – TO.  Foto: Rede Bico/APA-TO

Para a Campanha de Solidariedade, foram produzidas mais de 20 toneladas de alimentos, com o envolvimento de 22 comunidades e entidades do Bico no fornecimento para a composição das cestas agroecológicas. Aproximadamente 100 agricultores familiares e quebradeiras de coco estiveram envolvidos na produção de alimentos.

Também foram distribuídos kits de higiene, contendo itens importantes para conter o avanço do coronavírus, como sabão líquido, máscara e álcool gel.

A união das entidades foi indispensável para atravessar no ano de 2020, quando todos os planos foram alterados em função da pandemia. “O que deu força pra nós esse ano foi a união. Quando uma entidade chora, a outra chora junto e acha um jeito de ajudar”; complementa Socorro Teixeira.

A maior parte do planejamento da Campanha foi feita de forma remota, com reuniões on-line, como explica Maria Senhora, diretora da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Agricultores Familiares Agroextrativistas e Pescadores Artesanais de Esperantina (COOAF-BICO). “A gente fez várias reuniões online, combinando com as organizações, a APA-TO, as associações e as comunidades. Combinava e dividia as tarefas, cada organização assumia suas atividades e entregava no dia certinho. Foi um trabalho bem forte, feito com muito prazer e muita alegria. Foi muita gente que foi movimentado para fazer, todo mundo fez com amor, com coragem e satisfação”, comenta.

Confira aqui como foram as etapas anteriores da campanha

 


2/12/2020

Intercâmbio de sementes crioulas é fonte de esperança da conservação de variedades

Cosmo Nunes da Paixão é um agricultor que chegou ao Bico do Papagaio ainda criança. Vive na Comunidade Olho D’Água, na terra que foi de seus pais, e cultiva as mesmas sementes que o pai plantava há 50 anos. Ele conta que as variedades enviadas para os povos indígenas Krahô-Kanela e Xerente na segunda-feira (30), são cultivadas desde quando a família chegou à região. São plantadas, colhidas, reservadas e novamente semeadas, ano após ano. O intercâmbio de sementes crioulas entre agricultores e povos indígenas do Tocantins é promovido pela APA-TO e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Cosmo destaca que envia as sementes de um milho especial. Um milho forte e resistente, que pode ser consorciado com outras variedades, como a fava. “Nós plantamos toda variedade dentro. Por que nós gostamos dele? Porque ele é um milho que é forte, você pode plantar fava nele e ele não quebra. Ele não cai com a fava, a fava enrola nele, ele seca e a fava bota. Então, esse milho, nós costumamos plantar ele por que ele não anda apodrecendo, não anda dando lagarta, borboleta”, completa. Ele ainda conta que o inhame sucuri/sucuruiú que enviou pode chegar a pesar até 10kg.

As sementes crioulas são cultivadas por povos indígenas, populações tradicionais e agricultores familiares há décadas. Essas sementes são selecionadas anualmente e geralmente estão bem adaptadas ao ambiente, além de apresentarem uma vantagem ante às sementes híbridas ou transgênicas. As sementes transgênicas ou híbridas são elaboradas para se desenvolverem mediante a um pacote tecnológico de agrotóxicos e fertilizantes e que necessita ser comprado todo ano. Esse compartilhamento garante a manutenção dessas variedades e fortalece os  agricultores camponeses.

“A gente manda carinhosamente essas sementes. Quando a gente perde uma semente é uma coisa que a gente fica preocupado, com esses transgênicos que eles estão trazendo pra gente plantar, que todo ano a gente tem que comprar. Eu tô com a idade bem avançada, não sei se ano que vem eu ainda vou plantar o milho… Mas quando a gente repassa sementes pra outros irmãos, a gente tem a garantia que a semente não vai se acabar na nossa região”, finaliza.


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9/11/2020

Em comemoração ao dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, organizações realizam I Feira Agroecológica do Babaçu e Agricultura Familiar

No sábado, 07, aconteceu a I Feira Agroecológica do Babaçu e da Agricultura Familiar, em São Miguel do Tocantins. O evento foi realizado em alusão ao Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, incluído no calendário oficial do estado do Tocantins em agosto de 2019, em homenagem a história de luta de Raimunda dos Cocos. A data celebra a caminhada de luta dessas mulheres em busca da garantia de acesso ao coco babaçu, da defesa dos babaçuais, do direito à terra e vida digna para as mulheres e homens do campo. O evento foi organizado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), em parceria com as organizações que compõem a Rede Bico Agroecológico.

Nas barracas expositoras, os visitantes puderam degustar e adquirir produtos de babaçu e da agricultura familiar, como azeite de coco, amêndoas, bolo e mingau de farinha de mesocarpo, côfos e biojoias. A coordenadora geral da Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), Maria do Socorro Teixeira Lima, destaca que, para alguns visitantes, aquele era o primeiro contato com produtos provenientes do babaçu. “A gente fez a feira, apresentou muitos produtos, tivemos degustação e venda. Mas, o mais importante pra nós, além da realização e a presença de quem veio, foi que pessoas que nunca tinham provado a comida, que não conheciam, disseram pra gente que não sabiam que era tão gostoso. Então pra nós foi uma coisa muito importante. Tivemos a participação da juventude, tivemos a participação de muitas pessoas. Foi muito bom”.

O jovem Márcio, que integra o Grupo Pindova, apresentou os artesanatos produzidos pelo grupo, que são colares, chaveiros, imãs de geladeira. Ele explica que as peças têm variações de cor e tamanho a partir do período de desenvolvimento do coco, que pode ser utilizado verde ou maduro. “Essa feira está nos possibilitando a oportunidade de expor nossos trabalhos. Para mostrar que o extrativismo do coco babaçu não é só para as mulheres quebradeiras de coco babaçu, mas também os jovens com a produção de biojoias”, complementa.

Valquíria, historiadora e advogada, foi até a feira para prestigiar o trabalho das quebradeiras de coco e ver a homenagem prestada à Dona Raimunda dos Cocos. A consumidora ainda destaca a importância do trabalho das quebradeiras de coco para toda a sociedade. “Primeiro pela preservação ambiental, as quebradeiras de coco babaçu são a voz da natureza hoje. Elas lutam pela preservação, elas lutam pelo babaçu livre, elas lutam pela vida, elas lutam pelo bem comum, elas lutam pelas comunidades. Essa é uma das maiores grandezas econômicas e sociais, essa preservação”, finaliza.

O Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu

A data oficial que homenageia as quebradeiras de coco no calendário tocantinense é um desejo antigo, como cita coordenadora da regional Tocantins do MIQCB, Emília. Com o falecimento de Dona Raimunda, a data ficou como um reconhecimento e homenagem.

“Para nós, é muito importante esse dia, porque é um dia que a gente comemora, que a gente faz os trabalhos juntos, o dia que a gente demonstra nossos trabalhos e produtos. Agora todos os anos nós vamos fazer, trazer nossos produtos para degustação, pras pessoas darem mais valor aos produtos que a gente tem, dar mais valor as nossas riquezas naturais da região”, afirma Emília.

Homenagem à Dona Raimunda dos Cocos

Raimunda Gomes da Silva foi uma mulher que lutou por toda a sua vida adulta pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, além de ter participado da formação de movimentos e organizações, como o Sindicato Trabalhadores Rurais de São Sebastião de Tocantins e contribuiu na fundação da Federação dos Trabalhadores Rurais do Tocantins, em 1988. Também foi responsável pela criação da Comissão Estadual da Mulher, uma das primeiras a existir no estado do Tocantins. Participou ativamente da fundação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

Para ler nosso texto em homenagem à dona Raimunda, clique aqui.

 


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Pesquisa sobre juventudes rurais do Bico do Papagaio, no Tocantins, tem lançamento nesta quinta (15)

Diagnóstico entrevistou 245 jovens do extremo norte do estado do Tocantins e revelou que juventudes rurais querem ficar no campo, mas falta a efetivação de políticas públicas

Quais são os sonhos das juventudes em relação à sucessão do trabalho e a vida no campo? Jovens rurais do extremo norte do Tocantins conheceram mais da sua própria realidade através da participação e da construção do Diagnóstico das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio. O resultado da pesquisa será lançada em um vídeo animado e uma cartilha, no próximo dia 15 de outubro, a partir das 19h, na internet no endereço: http://bit.ly/youtubeapato.

A agricultura é atividade principal no território do Bico do Papagaio. “Há muito tempo as organizações e os movimentos sociais do território têm a preocupação da sucessão rural. No trabalho com as juventudes, buscamos dados, mas o que conseguimos eram mais nacionais, não tínhamos informações da região. Então, achamos que era pertinente entender melhor as juventudes do Bico, o que estavam pensando, quais seus desafios. E isso motivou a fazer o diagnóstico”, explica Selma Yuki Ishii, coordenadora do projeto Juventudes e Agroecologia em Rede, executada pela APA-TO. 

 Reunião com o grupo focal da juventude

O diagnóstico levantou e analisou informações relativas às condições e modos de vida das juventudes, com o objetivo de também encontrar lacunas e potencialidades para a construção de estratégias de ação para e com as juventudes rurais. Participaram 245 adolescentes e jovens quebradeiras de coco babaçu, quilombolas, assentados e assentadas da reforma agrária, agricultores familiares e sem terra. Além de mães, pais e familiares dos jovens, professores da Escola Família Agrícola Padre Josimo e lideranças de organizações e movimentos sociais e ligadas às juventudes. O trabalho coordenado pela APA-TO, o GT das Juventudes Rurais, a Rede Bico Agroecológico e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com o apoio da agência de cooperação alemã Misereor.

Para Jorge Luís Roberto Lima, de 23 anos, do acampamento Padre Josimo, em Carrasco Bonito, o processo de construção do diagnóstico foi um grande aprendizado. “Com pesquisa a gente pode conhecer mais a realidade das outras juventudes porque cada território é uma experiência diferente. E percebemos que a gente tem algo muito em comum que é enfrentar as dificuldades aos acessos aos direitos e as políticas públicas”, afirma o jovem, que também é estudante de serviço social, integrante do GT das Juventudes Rurais do Bico e militante do MST. 

DIAGNÓSTICO

A maior parte dos jovens entrevistados são de famílias que trabalham na terra e se revelaram grandes defensoras e disseminadoras da agroecologia. No entanto, a maioria não sente que seu trabalho é reconhecido e valorizado e muitas vezes é considerado apenas uma ajuda para a família. Entre as juventudes rurais do Bico do Papagaio existe um forte desejo de permanecer no campo, representando 72% dos entrevistados. Ainda, 18% afirmaram não saber se desejam ou não permanecer; e somente 10% afirmaram não querer ficar no meio rural.

E na voz das próprias juventudes, o que contribui para permanência no campo são o sentimento de pertencimento, poder participar dos espaços de decisão, melhorar a relação entre jovens e adultos, a maior aceitação por parte dos pais, avós e lideranças dos interesses dos jovens, melhores condições de vida com políticas públicas, escoamento da produção, cursos de agroecologia, renda própria, maior controle sobre o próprio tempo, acesso à terra e espaços de lazer.

LANÇAMENTO

Todo o resultado do diagnóstico foi sistematizado em um vídeo e uma cartilha, com a técnica da relatoria gráfica, com o objetivo de contribuir para a partilha desse conhecimento sobre a realidade local com outros jovens. O lançamento será na internet, ao vivo, aberto ao público, no Encontro de Lançamento da Pesquisa sobre as Juventudes Rurais do Bico do Papagaio, e contará com a participação de jovens do GT das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio e das organizações realizadoras. “Vamos construir o encontro esperando ter a maior participação de pessoas possíveis, e especial dos jovens. Vamos fazer de uma forma dinâmica e que seja inclusiva, que dê pra todo mundo se sentir no momento, tentando reproduzir o máximo como se fosse no presencial”, explica Jorge Luiz, uma das vozes que narra o vídeo.


Laís Cardoso: jovem, sem terra e quebradeira de coco

Laís Cardoso no seu trabalho com o extrativismo do babaçu – Fonte: arquivo pessoal

A Luta dos movimentos sociais do Bico do Papagaio  é realizada  por organizações, como o MST, os STTR´s,  o MIQCB,  a COEQTO,  a Rede Bico Agroecológico e  a APA-TO. Essa luta se intensificou, sobretudo, nos períodos de pandemia, aonde se realizou vários eventos, mesmo que online na tentativa de manter a formação política de suas bases. É momento de rebeldia e que eleva a ansiedade das juventudes na região do Bico do Papagaio na defesa dos biomas Cerrado e Amazônia.  Ambos sofrem ameaças dos grandes projetos.

O território dessas populações precisam resistir e é por isso que conversamos com a jovem Laís Cardoso, integrante do Coletivo da Juventude do  MST, moradora da Cidade de Carrasco Bonito, quebradeira de coco e filha de quebradeira de coco. Ela é uma das lideranças da juventude nesse momento complicado em que vive o Brasil: um momento de crises políticas e com o governo autoritário. Leia o bate-papo:

Como surgiu a ideia de articulação da juventude do Cerrado?

Eu venho de um movimento onde tem muito comum a linha política e o compromisso da juventude na luta pela terra, na defesa do nosso território, na contribuição com a construção dos assentamentos e acampamentos populares como uma fortaleza e o anúncio do “Bem-Viver” produtivo; embelezado; lúcido; alegre e combativo.

Nos comprometemos a organizar os “coletivos de juventudes” enquanto forças vivas dos nossos territórios a partir das várias dimensões e formas da agroecologia trabalho e renda auto-organização nas escolas, comunicação, cultura, esporte e lazer entre outras. Iniciativas que respondam às necessidades da nossa juventude estimulando a permanência desses jovens no campo; a injeção nos diversos setores e frentes do movimento e da reforma agrária popular. Militantes, dirigentes e quadros políticos jovens para nossa organização e luta de classe, a partir de uma prática que alia a formação política, cultural e técnica à luta e ao trabalho de organização do povo.

Na região onde você mora, no estado do Tocantins, Bico do Papagaio, um local onde tem também o Bioma Amazônia. Como é essa questão das disputas territoriais também no Bioma Amazônia, onde vocês se articulam?

Acredito que nas demais regiões do estado e do país nosso principal opositor é o agronegócio. Porque está mais que comprovado que ele não doou e não produziu nenhum alimento e o que produziu, foi para exportação. Quem está produzindo são os povos do campo; são as comunidades tradicionais. Somos nós aqui do Bico do Papagaio. A gente enfrenta uma ameaça direta: que é um plano de expansão territorial. Esse plano macabro é um projeto de morte, que é o “Matopiba”, que se implementado por completo, nós teremos 99,96% do nosso Cerrado, do nosso bioma Amazônia destruídos, aqui da região, aumentando assim a seca, a fome, a destruição da terra, dos nossos territórios, o aumento das doenças  pelo envenenamento com o uso de agrotóxico, que é usado nas práticas agrícolas desse projeto. Então, a gente enfrenta diretamente essa realidade, que a grande mídia é amiga. E a gente, que está dentro das áreas não esquece, a gente que está dentro agora não tem como esquecer, não tem como deixar de se denunciar isso, porque são milhares de pessoas morrendo. São milhares de pessoas desabrigadas, são milhares de pessoas passando fome, eu não falo só da região do “Bico”, eu falo de todo o país. Então, eu acredito que nosso principal oponente nesse momento é agronegócio.

Como fazer com que outras juventudes consigam se espelhar em vocês, também jovens, para engrossar as fileiras de resistências?

A gente que se compromete a articular e organizar os jovens do campo, em especial dentro de acampamentos e dos assentamentos, tem como uma das prioridades o estímulo à permanência da juventude no campo. E como citei anteriormente, a gente utiliza vários meios, várias formas de comunicação, de arte e cultura, no esporte é no lazer. Mostrar que nossas áreas, nossos territórios são espaços de “Bem Viver”.

Então, a gente tem muito isso aqui no Bico do Papagaio temos também espaços que agrega o jovem de várias etnias, jovens quilombolas, quebradeiras de coco. Mesmo a gente, tem como objetivo articular essa juventude para lutar pelos territórios, então, nós do Jovens em ComunicAÇÃO e do GT, ultimamente se tem trabalhado fazendo vínculo da juventude do campo e cidade. Essa juventude trabalha com agricultura urbana trabalhando técnicas de hortas orgânicas e tem-se trazido também as nossas experiências para o campo. E isso é uma contínua troca de experiências para fazer com que essa juventude continue nas nossas atividades acreditando que o campo é um espaço onde vive e é o nosso espaço, por onde se deve lutar. Então, temos várias atividades que configuram nossa articulação para que essa juventude permaneça nesta trincheira de luta.

Sabe-se que é a esperança que mantém a luta de vocês. É possível caracterizar algumas conquistas nesse momento? Quais?

Encontramos sim, pontos positivos. Nós estamos nos preparando aqui no Bico do Papagaio com toda essa situação. Infelizmente vários companheiros tombaram por conta desse vírus, mas, nós temos aqui hoje no “Bico” uma juventude que está se erguendo, que está se articulando… A juventude quebradeira de coco em sintonia com a juventude quilombola, em sintonia com a juventude acampada, com a juventude assentada, sintonia com a juventude indígena sempre se articulando para estar contribuindo nas áreas, nas formações, nos conhecimentos.

A gente tem encontrado isso muito presente, nesse período, mesmo distante a gente tem encontrado isso muito presente. Tem-se alavancado e muitos aos setores de produção é a juventude do campo produzindo e esses alimentos que estão produzindo, alimentos que não são utilizados agrotóxicos nos alimentos produzidos com práticas agroecológicas estão chegando até a cidade aos setores periféricos da cidade que estão sofrendo muito com essa crise, estão chegando as aldeias também, estão chegando às comunidades quilombolas. E a gente tem tido esses pontos positivos.

A articulação da juventude aqui no Bico do Papagaio, através desses grupos que estão se formando os GT das juventudes e o também os Jovens em ComunicAÇÃO, que já citei anteriormente e também os nossos setores de produção, sempre produzindo que a gente tem para gente, sempre é esse lema, sempre essa palavra de ordem, que não queremos mais mortes, nem pelo vírus e nem pela fome.

 


João Abelha Sempre Viverá em Nossas Lutas e Cultura!

Os movimentos que lutam no campo e pelos camponeses, bem como  a APA-TO, tinham em seu João José Filho, mais conhecido como “João Abelha”, um grande espelho um exemplo 

 

Ele que foi liderança do movimento sindical, poeta e cantor da terra. Sua principal capacidade eram simplesmente três: Líder, poeta e cantador dos povos do “Bico”.

Nas décadas de 1970 e 1980,  lutou contra o latifúndio, contra os grileiros e pela reforma agrária na região do Bico do Papagaio, junto com outras lideranças da região, como Dona Raimunda, Antônio Cipriano, Maria Senhora e Pe. Josimo. 

Ainda durante a luta pela terra junto com a CPT, animou os primeiros grupos de produção da apicultura. Foi um dos pioneiros da apicultura na região, atuando como monitor e animador, criando inclusive a música xote das abelhas

 

Sempre apoiou a luta das mulheres e produziu músicas como “Xote das Quebradeiras de Coco” e “Oito de Março”. Ele seguiu a luta de Pe. Josimo, em todas as romarias da terra, compondo músicas que falavam de sua luta. 

A APA-TO externa à sua família, parentes e  amigos, nossos sentimentos de pesar por sua partida e agradecimento por suas contribuições nas lutas sempre com firmeza e poesia.

APA-TO


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