Buscar

Geral


3° Episódio: A importância de ter comida de verdade na nossa mesa

Neste episódio o tema é ‘A importância de ter comida de verdade na nossa mesa’. A professora Raquel Rigotto, que é da Universidade Federal do Ceará do Núcleo Tramas e membra da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e da Associação apresenta o que é comida de verdade, qual sua importância e como ela pode chegar à nossa mesa. Ela vai nos explicar o que é comida de verdade que gera saúde para as pessoas. #agroecologiaévida #agroecologiarespeitaaterraeseusfrutos

#agroecologiafamiliar #mutirãodesaberesagroecologicos   #podcastapatoeredebico #apato #redebico

 

 


Conteúdo relacionado: Geral, Spots de Rádio

No próximo dia 22 de junho vai ao ar o programa ‘Mutirão de Saberes Agroecológicos’ em áudio

Na próxima terça-feira (22) vai ao ar o programa Mutirão de Saberes Agroecológicos, em áudio,  promovido pela Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO)  em parceria com  a Rede Bico Agroecológico. Quase 20 pessoas participaram das gravações e produção dos episódios.

Os episódios em áudios têm como objetivo divulgar a diversidade de povos  quilombolas, quebradeiras de coco, assentados, pescadores artesanais e acampados que vivem no território do Bico do Papagaio e manejam os seus agroecossistemas, sobretudo, a sua relação cultural com o ambiente, com a comunidade, com a sua alimentação e forma de viver e de produzir.

De valorizar os seus saberes agroecológicos, construídas por jovens e adultos, que vivem em comunidades rurais, a partir da sua vivência harmoniosa com o meio ambiente. Os episódios dessa série foram divididos com as seguintes temáticas:

Modo de vida agroecológico no território do Bico do Papagaio; A produção agroecológica no território do Bico do Papagaio; A importância da comida de verdade na mesa; Consumo de alimentos regionais; O uso de plantas medicinais no cotidiano; Protagonismo da Juventude na agroecologia Bico do Papagaio; A importância da apicultura para a agricultura familiar camponesa; Sistemas agroflorestais consorciado nos babaçuais; Usos e diversificação do aproveitamento do babaçu e Hortas agroecológicas.

A cada semana um episódio será divulgado nas plataformas digitais da APA-TO: Canal do Youtube Alternativas para Pequenas Agricultura no TO (https://www.youtube.com/watch?v=-fHRrxW0rmM); Instagram (@ongapato)  e facebook  (apatobico).


Conteúdo relacionado: Geral

No Dia da Terra, APA-TO lança vídeo sobre a Rede Bico Agroecológico

Neste Dia da Terra, 22 de abril, lançamos o último episódio da websérie “Agroecologia em Rede no Bico do Papagaio”, apresentando uma rede de iniciativas unidas em torno da defesa e preservação da Terra e daqueles que vivem em uma ligação íntima com ela, como as quebradeiras de coco, os povos indígenas, os quilombolas, os pescadores, os ribeirinhos, os agricultores familiares e as juventudes de cada uma dessas populações.

Ao longo de 13 semanas, compartilhamos em nossas redes experiências agroecológicas de respeito à terra, com trabalhos sustentáveis como bioconstruções, reaproveitamento de água, construção de cisternas, sistemas agroflorestais, hortas sem uso de veneno, entre outras práticas. No episódio dessa quinta-feira, “Rede Bico: Tecendo vidas & saberes”, apresentaremos a Rede Bico Agroecológico, uma iniciativa que reúne organizações, associações e movimentos sociais em torno de projetos de fortalecimento da agricultura familiar, agroecologia, juventudes rurais, entre outras iniciativas.

Maria Senhora, da COOAF Bico, destaca a Rede Bico Agroecológico como um fortalecimento. “O papel da Rede Bico é fortalecer a vida do campo e da cidade junto, pra cidade saber que ela só come por que tem gente no campo trabalhando, e por isso, tem que respeitar”, afirma.

Os projetos e experiências apresentados também contemplam os jovens das comunidades, como o SAF da Katarina e a apicultura dos jovens da comunidade São Félix, como o Matheus dos Santos, que conta como os projetos o impactaram positivamente. “Eu fui um jovem beneficiado, e vejo que realmente é algo sustentável, que funciona, traz resultado. Dá oportunidade pro jovem ficar no campo, se preocupar com a agroecologia, com o bem viver, com a biodiversidade”, finaliza Matheus.

Além disso, a Dona Socorro, coordenadora geral da ASMUBIP ainda ressalta a importância dos projetos para a preservação e conservação das nascentes, florestas e defesa da terra. “Quem é agroecológico, protege a floresta. Quem protege a floresta não queima, não devasta, não põe veneno, por isso, já é um agroecológico”, completa.

Todos os episódios da websérie estão disponíveis no Youtube, Facebook e Instagram da APA-TO. Os informativos de cada experiência estão na aba publicações do nosso site.


Conteúdo relacionado: Geral
17/04/2021

Jovens da comunidade Cento dos Calixtos organiza cestas agroecológicas para entregar as famílias carentes

Jovens da comunidade Olho D’Água, localizado no Cento dos Calixtos, distribuíram na última quinta-feira, dia 15, vinte e três cestas agroecológicas para famílias em situação de vulnerabilidade social residentes do município de São Miguel – TO. Participaram da atividade 19 jovens e cada um puderam colocar nas cestas produtos cultivados em seus quintais e áreas de plantações.

A jovem Mayane Silva Portel uma das integrantes do coletivo das Juventudes dos Calixtos afirma que foi muito gratificante participar dessa ação em que uniu agroecologia, solidariedade e  espírito de equipe. “Participar do coletivo de Juventudes e está nesta ação é muito gratificante para mim porque fizemos cestas básicas para ajudar as famílias carentes, famílias que precisam ser acolhidas e abraçadas por nós. Foi muito bom juntar produtos saudáveis e atitudes solidárias”.

Os jovens se dividiram em equipes e montaram e distribuíram as cestas básicas com produtos agroecológicos. (Fotos:  APA-TO)

A jovem ressalta que os produtos que compunham as cestas foram cultivados pelos jovens da comunidade. “Na cesta tinha verdura, frutas saudáveis e bonitas sem agrotóxicos. Seguimos junto e construído um mundo mais saudável e sem agrotóxicos”.

Uma das beneficiadas foi a Maria Lucia, que mora no município com mais três filhos e o esposo. Ela conta que ela e esposo estão sem trabalhar e que a cesta básica chegou em ‘boa hora’. “Chegou em boa hora porque estava faltando um pouco. Agradeço muito a vocês que trouxeram. O homem faz algumas diárias de serviço e eu não estou trabalhando. Nesses dias nenhum dos dois estão trabalhando”.

Puba, banana, farinha, Azeite de coco babaçu, cheiro-verde, cuxá, mesocarpo, abóbora e polpas de frutas era são os produtos que compuseram as cestas.

Para fazer as cestas os jovens se organizaram dividindo a produção e formando equipes para preparar e entregar. A cesta básica continha um pacote de arroz de cinco quilos, duas garrafas de álcool em gel (os únicos produtos que não eram diretamente da comunidade Olho d’Agua); de produtos agroecológicos cultivados pela juventude tinha: macaxeira, cuxá, cheiro-verde, abóbora, quatro quilos de bananas, mesocarpo, polpa de frutas, puba, azeite de coco babaçu e farinha. A atividade será repetida em mais dois municípios na região do Bico do Papagaio.

23 cestas básicas agroecológicas foram produzidas pelo jovens da comunidade Olho D’Água

Rejane de Oliveira, uma das jovens organizadoras explicou que cada jovem plantou e colheu os produtos que estavam nas cestas. “Cultivamos nos nossos quintais e áreas de plantios aqui daqui de Olho D’Água. Tiramos o cuxá, a macaxeira, produzimos a puba, a farinha, e juntamos cada alimento, até fazer cada cesta. A escolha das famílias que recebeu as cestas foi decidida em coletivo e procuramos entregar para quem estava mais precisando”.

A ação de solidariedade realizada em São Miguel faz parte da Campanha de Solidariedade da Rede Bico Agroecológico que realiza ações desde o ano passado e desta vez está sendo realizada pelas juventudes do campo que também produz e está engajado em ações que minimizem os impactos da pandemia.  A iniciativa acontece em parceria com as Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO) e apoio da IAF.

As famílias foram escolhidas pelos próprios jovens.


A propriedade agroecológica do Loro e da Socorro: cooperação familiar que constrói agricultura sustentável

Lourival Barbosa da Cunha e Maria do Socorro Oliveira são casados e moram há 26 anos no Projeto de Assentamento (PA) Mulatos, que fica em Esperantina, região do Bico do Papagaio, no extremo norte do estado do Tocantins. Quando conseguiram o seu pedacinho de terra, em maio de 1991, os lotes do assentamento já estavam demarcados, mas eles sempre foram envolvidos com sindicatos e associações e sabem bem como é exigente a luta de quem quer uma distribuição de terras que seja justa para todos.

O começo da vida em Esperantina foi bem difícil. Quando chegaram no PA, a Socorro estava grávida do Natanael, o segundo dos 4 filhos do casal, e eles moravam em um barraquinho de palha. Mas com muita união, a família foi enfrentando as dificuldades que apareceram pelo caminho. Em 1994, quando as crianças já estavam maiorzinhas, eles precisaram deixar de morar no lote para buscar melhores condições de estudo, já que na região do assentamento não havia as mesmas oportunidades que existem no dia de hoje. Ter que ir todos os dias da vila onde passaram a morar até o lote, para cuidar da terra, exigiu sacrifício e paciência de toda a família durante 15 anos. Mas uma coisa é certa: nenhum deles abandonou o sonho de voltar a morar no lote, de se sustentar do seu próprio pedacinho de terra. E foi em 2009, quando voltaram a morar no lote, que esse sonho começou a se tornar realidade.

Hoje, o Natanael e sua irmã mais velha já se casaram e não moram mais com os pais, e quem faz companhia para o Loro e a Socorro é o Lucas e a Luana, os filhos gêmeos do casal, de apenas 3 anos de idade. Apesar disso, todos os dias o Natanael está na casa dos pais, porque sempre gostou muito de trabalhar na terra e ajudá-los é algo que o deixa realizado.

Depois de 8 anos de muito trabalho intenso de toda a família, dá gosto de ver a propriedade deles. Ela não é uma propriedade qualquer, é uma propriedade agroecológica diversificada! Isso porque lá eles têm de tudo um pouco: horta agroecológica; sistema agroflorestal; roça; criação de galinhas, de porcos e de peixes cisterna; apicultura. E o mais legal de tudo isso é que uma coisa está integrada na outra. Além de servirem de alimento para a família, as hortaliças também são consumidas pelos animais, que retornam com as fezes, que são utilizadas como adubo junto com a cobertura verde feita do mato que é roçado e das folhas que caem das árvores, o que ajuda a melhorar o solo que recebe os plantios. É como a Socorro diz: “Aqui a gente não perde nada”.

Com tanta coisa boa num lugar só, dá para imaginar que o que não falta é trabalho. Mas para dar conta de tudo, a família inteira se envolve e se ajuda. Para que tudo seja feito com qualidade, as responsabilidades são divididas e assim não fica pesado para ninguém. Enquanto um está regando as plantas, outro está dando de comer para os animais, outro está preparando o café da manhã e assim, no dia-a-dia, a produção vai crescendo cada vez mais. Além da divisão de tarefas, quando alguma delas é mais exigente, como a colheita de mel, por exemplo, todos se juntam para fazer o mesmo serviço, que se torna muito mais leve e alegre.

Ao longo de todos esses anos, a família viu muita coisa mudar. Antes, eles produziam poucas coisas, só para consumo próprio. Agora, já tem arroz, feijão, milho, mandioca, fava, amendoim, açaí, banana, melancia, quiabo, pimenta de cheiro, pimenta ardilosa, cebolinha, rúcula, jiló, tomate, coentro, cenoura, alface, que além de serem consumidos pela família, ainda são vendidos na feira e em programas de compra direta. Com isso, a renda do Loro e da Socorro melhorou bastante, porque além de economizarem por não precisarem comprar fora, ainda dá para gerar um dinheirinho extra.

Isso sem falar nos benefícios que as experiências agroecológicas trouxeram também para a saúde da família. Produzindo sem veneno e aproveitando os recursos que a natureza nos dá, eles têm a certeza que estão consumindo e oferecendo algo saudável e de qualidade. As vantagens de trabalhar assim são várias e o Loro sabe bem: “Quando se fala agroecologia, você está imaginando qualidade de vida pra você, pra sua família e pra quem está aí no planeta”.

É assim, sempre pensando na melhoria da vida de todos, que o Loro, a Socorro e o Natanael seguem trabalhando e sonhando. Todos eles querem melhorar aquilo que já têm, para poderem cada vez mais se sustentar da terra que é deles. Além disso, fica também o desejo que as futuras gerações deem continuidade ao trabalho no campo, tão necessário e importante para a vida de todos nós. Que a experiência linda dessa família seja sinal de inspiração para que saibamos que juntos e juntas podemos fazer desse mundo um lugar melhor.

 


A apicultura dos jovens e do grupo produtivo do São Félix: interação entre famílias e gerações

Logo no início do ano de 1989, no mês de fevereiro, aconteceu algo muito importante para a vida de muitas famílias da cidade de Araguatins, no extremo norte do estado do Tocantins: foi criado o Projeto de Assentamento (PA) Santa Cruz II, que recebe esse nome por conta da fazenda que existia na região antes da terra que era de apenas um fazendeiro se tornar a terra de aproximadamente 280 famílias. Por ser uma área muito grande e para ajudar a interação entre os assentados, o PA foi dividido em setores: São Félix, Campestre, Retiro e Sede. E como o título deste informativo já revela, é sobre algumas famílias do setor São Félix que vamos falar.

Uma dessas famílias é a do Seu Joaquim. O Seu Joaquim foi um dos lutadores, dentre outros, pela criação do PA Santa Cruz II e vive nele até os dias de hoje. Com muita organização e ao lado de outros companheiros, foram várias as dificuldades e perseguições enfrentadas para que hoje ele possa dizer com alegria que criou os seis filhos em um pedacinho de terra que é seu. Além de fazer questão que os filhos e netos saibam e tenham orgulho da história do lugar onde eles moram e trabalham, Seu Joaquim também quis deixar às próximas gerações da sua família um trabalho muito importante, que ele realizou por muitos anos, até a idade já não mais permitir a mesma energia dos tempos da juventude: a apicultura!

É assim, inspirado pelo pai, que o José Irismar, mais conhecido como “Mineiro”, dá continuidade ao trabalho com as abelhas. Com o Seu Joaquim, ele aprendeu tudo o que precisa para ser um bom apicultor: como capturar as abelhas, como dividir os enxames, como identificar a rainha, os cuidados que se deve ter para fazer a colheita do mel. Fora todas essas práticas, ele aprendeu também os motivos de realizar esse trabalho, que é justamente o que o faz continuar na lida. Além do mel ser um alimento muito nutritivo e saudável, que ajuda até a prevenir algumas doenças, a renda que a comercialização do produto traz é muito boa, então a apicultura ajuda demais a aumentar a qualidade de vida de quem a pratica, sendo inclusive até mais vantajosa do que o trabalho com o gado, que exige muito espaço e muito investimento financeiro para trazer resultados razoáveis.

Mas as vantagens não acabam por aí. Existe também um benefício muito importante que o trabalho com as abelhas traz e que não há dinheiro no mundo que pague: a preservação ambiental. Para que as abelhas possam se desenvolver bem e produzir um mel de qualidade, a mata precisa estar preservada e não pode haver o uso de nenhum tipo de veneno nas plantações, que podem matar enxames inteiros. Além de ajudar a manter uma temperatura agradável, a presença da floresta no lote também colabora com a biodiversidade e garante que a polinização, tão importante para a geração de outros tantos alimentos, seja feita.

Um homem vestido de camisa de manga comprida segura uma garrafa de 900ml de mel. Ao fundo, há um tronco de árvore e uma moto preta.

Com tanta coisa boa assim, é claro que o Mineiro não poderia ficar com o conhecimento só para ele. Agora, o seu filho Felipe, de 17 anos, está começando a mexer com a apicultura também e sabe bem da importância de continuar esse trabalho tão bonito, que começou com o avô, passou pelo pai e agora está também em suas mãos. Mas não foi só a família que despertou o interesse da apicultura no coração do garoto. Com um curso de agroecologia promovido pela Associação Escola Família Agrícola (AEFA), ele foi aprendendo ainda mais e também transmite as novidades que descobre ao pai e, assim, um vai ajudando o outro a cuidar dos apiários.

Mas não é só a família deles que trabalha com abelhas no PA. Com o tempo, os apicultores da região foram percebendo que criar um grupo produtivo poderia ajudar bastante a desenvolver melhor a apicultura. Mesmo que cada um tenha seu próprio apiário e trabalhe de maneira individual, o grupo, que conta também com a presença das famílias do Cláudio e do César, é muito importante para trocar saberes e para buscar mercados e parcerias que ajudem na venda do mel e tragam melhorias para a vida de todas as famílias. Além disso, o Felipe não é o único jovem que está começando a praticar apicultura no São Félix. Seu amigo Matheus Indiano e mais dois colegas que também fizeram o curso na EFA estão muito animados com o trabalho e sempre estão com os ouvidos bem abertos a tudo que os apicultores mais experientes do grupo têm a ensinar.

Três garrafas de vidro cheias de mel em cima de uma caixa de madeira. Duas são de 900ml e uma é de 500ml. Ao fundo, tem árvores, chão arenoso e uma casa de alvenaria sem reboco.

E é assim, com essa troca inspiradora de experiências entre diferentes famílias e gerações, que a apicultura do setor São Félix tem se desenvolvido cada vez mais e está ajudando a realizar o sonho que é comum a todos os apicultores mais antigos da região: que a juventude permaneça no campo e reconheça a alegria que é tirar o sustento de uma terra que é sua!

Confira o informativo dessa experiencia aqui.


O canteiro econômico da Osmarina e do Francisco: Geração de renda, saúde e tempo

Osmarina Souza da Silva é casada  há mais de 40 anos com Francisco de Assis da Silva, mais conhecido na vizinhança como “Chico Prazer”. A comunidade onde vivem desde 1992 é o Projeto de Assentamento Ouro Verde, que fica na cidade de Araguatins – TO. Antes de conseguirem o lote no setor Barro Branco do Projeto de Assentamento, Chico e Osmarina chegaram a morar em “terra de dono”, como diz o Seu Francisco, e, por isso, sabem bem a importância e a alegria de ter uma terrinha pra chamar de sua.

Apesar da vida já ter melhorado bastante, até hoje a comunidade na qual vivem Osmarina e Francisco enfrenta algumas dificuldades. Uma delas é o abastecimento de água, que é de responsabilidade da prefeitura. É comum dar problema na bomba que distribui a água para as casas e quem mais sofre é a comunidade, que acaba ficando sem acesso a algo que é um direito básico de todos. Porém, mesmo com a escassez de água, a Dona Osmarina e seu Chico conseguem produzir cheiro verde, coentro, alface, rúcula, couve, cebolinha e pimenta de cheiro, tudo sadio e com muita qualidade. Isso é possível porque o casal tem um canteiro econômico no seu quintal.

Dona Osmarina molha os canteiros com um regador grande verde

O canteiro econômico tem esse nome por causa do seu objetivo principal, que é justamente economizar água. Diferente dos canteiros convencionais, o canteiro da Osmarina e do Francisco só precisa receber água de 8 em 8 dias, o que ajuda a economizar não só esse recurso tão precioso como também algo muito importante na vida de quem tem muito trabalho no campo: o tempo! Por não ter que separar uma horinha todos os dias para ficar regando as plantas, o casal ganhou bastante tempo para se dedicar a outras atividades, o que trouxe muita qualidade de vida para eles.

Para construir o canteiro, o trabalho foi bem cooperativo. Várias pessoas da comunidade foram até a casa da Dona Osmarina e do Seu Francisco e em um dia conseguiram fazer tudo. E a Dona Osmarina garantiu: “quem trabalhou, gostou do resultado”. A primeira coisa necessária a se fazer foi a terraplanagem do lugar onde o canteiro ia ser construído, porque se o terreno está desnivelado, pode ser que não chegue a mesma quantidade de água a todas as plantas.

Dona Osmarina e Seu Chico estão proximos aos canteiros, dona Osmarina molhando com o regador e seu Chico olhando a atividade.

Depois do solo já estar bem retinho, foi a hora de construir um retângulo com tijolos. Então, tanto as paredes desse retângulo quanto o chão, foram forrados com um plástico resistente e em seguida foi posicionado um cano com furos em todo o comprimento do canteiro, que é por onde passa a água. O fato de ter esse plástico é o que ajuda a segurar a água no canteiro por mais tempo. O cano que fica no fundo é ligado a outros dois canos, que ficam no começo e no final do canteiro na posição vertical, para que se possa colocar a mangueira para fazer a rega. Antes de colocar a terra, o cano furado é coberto com telhas, para que não corra o risco de os furos entupirem.

Por fim, vem então a camada de terra e a camada de cinzas, de esterco de galinha e de gado e tronco de palmeira, que servem de adubo para a planta crescer forte e bonita. Depois de pronto, foi só conectar a mangueira aos canos que ficam para fora e esperar a terra dar uma leve encharcada. Com a terra já úmida, bastou esperar 10 dias para deixar o estrume curtir e já foi possível plantar.

Além de ajudar na economia de água e de tempo, o canteiro também colaborou com a renda da família, que não precisa comprar as hortaliças que produz em casa e ainda consegue vender alguns produtos para as famílias da comunidade. Outro benefício que o canteiro trouxe para a vida da Osmarina e do Chico é a melhoria da saúde. O canteiro ajuda a manter as plantas mais verdinhas, porque controla melhor a temperatura, já que a terra fica úmida por mais tempo, e ainda impede que algumas pragas atinjam os cultivos, já que o plástico do fundo acaba servindo como uma proteção contra esse problema também.

Dona Osmarina está agachada colhendo cebolinha, que está com cerca de 40cm

Além disso, eles não usam veneno e sabem que estão consumindo e vendendo produtos muitos saudáveis. Um detalhe que exige cuidado e atenção, porém, é a época de inverno, quando chove muito, porque o canteiro pode alagar e isso é ruim para as plantas. Para resolver essa situação, nessa época o casal adapta os canos do canteiro de modo que a água saia do canteiro e não fique retida, prejudicando a plantação.

O canteiro econômico foi tão bom para a vida da Osmarina e do Francisco que o sonho deles é que todas as famílias do Projeto de Assentamento pudessem ter um igual aos deles. Eles também querem fazer mais canteiros e desejam que a comunidade se fortaleça cada vez mais para poder sempre reivindicar seus direitos e ter o acesso à água de qualidade garantido.

Acesse o informativo sobre o canteiro econômico aqui.


A horta agroecológica e a criação de galinhas da comunidade quilombola da Ilha São Vicente: Alternativa à pesca em tempos de escassez

A Ilha São Vicente, que fica na cidade de Araguatins, bem ao norte do estado do Tocantins, é um pedaço de terra cercado pelas águas do Rio Araguaia por todos os lados. Nesta Ilha, vive uma comunidade quilombola que, desde o início de sua história, é sinal de muita luta e resistência. No ano de 1869, o fundador da cidade de Araguatins, Vicente Bernardino Gomes, recebeu oito escravos – dois casais e quatro crianças – como pagamento de uma dívida e resolveu mantê-los isolados na Ilha de São Vicente.

Depois de 1888, com a Lei Áurea, a terra acabou ficando com os descendentes de Henrique Julião Barros, um dos escravos trazidos naquela época, e foi passando de geração a geração até chegar às mãos das famílias que ocupam a área nos dias atuais. Porém, achar que a liberdade chegou com a abolição é um grande engano. Ainda hoje, a comunidade quilombola da Ilha São Vicente enfrenta uma série de desafios, dificuldades e descaso do poder público. Mesmo já tendo sido reconhecida como território quilombola, a área ocupada ainda está em processo de demarcação.


Um outro acontecimento que reforça o desrespeito com a vida e a história desse povo foi o despejo violento que a comunidade sofreu em 2010, onde várias casas foram incendiadas. Porém, as chamas acenderam ainda mais o fogo de resistência que arde no peito dos quilombolas, que começaram a se organizar através de uma associação que fortaleceu ainda mais a luta de permanecer no território, dando total sentido à famosa frase “a união faz a força”.

Por estarem perto de um rio, uma das atividades que mais garantiu a sobrevivência das famílias que vivem na Ilha São Vicente durante muitos anos foi a pesca. Porém, desde 1984, quando a barragem de Tucuruí chegou no estado do Pará, que faz divisa com Araguatins, se percebe como a quantidade de peixes diminuiu. Como comenta o senhor Virgílio Barros Rocha, que mora na comunidade quilombola há praticamente 70 anos, os peixes do lado de cima da barragem foram praticamente quase todos pegos, e os que estão do lado de baixo não conseguem mais subir o rio. Assim, o dourado, o filhote, o surubim, a caranha, o jaraqui e o curimatã, que antes eram comuns nos pratos das famílias, já não enchem mais as redes dos pescadores quilombolas.

Mas na tradição desse povo de luta, desistir não é opção. Se os peixes já não são a alternativa mais viável, outros caminhos têm que ser encontrados para complementar a subsistência. Por isso, toda a comunidade tem apostado muito em hortas agroecológicas e na criação de galinhas, duas experiências de agroecologia que aos poucos estão se desenvolvendo nos quintais da Ilha São Vicente. Cebolinha, coentro, couve, alface, cenoura, pimenta, abóbora, pepino, cupuaçu, bananeira, maracujá, abacaxi, melancia. Tudo isso está sendo cultivado com muito carinho na terra das famílias quilombolas.

Como a horta ainda está dando seus primeiros passos, pouca coisa pôde ser colhida até agora. Mas já dá para perceber que está desenvolvendo bem. Eles fazem consórcio de plantas, para que uma possa ajudar a outra a crescer bem bonita. Além disso, a cobertura do solo está sendo feita com folhagens, o que ajuda a manter a terra mais úmida e diminui a quantidade de mato que cresce em volta da planta. Outro cuidado que ajuda muito a garantir alimentos saudáveis para o futuro é o fato de ninguém na Ilha usar veneno. Tudo é natural. Para adubo, por exemplo, é utilizado tronco de palmeira, que vai se decompondo e dando nutrientes para o solo, e esterco de gado e galinha também.

E por falar em galinhas, a criação de aproximadamente 50 galinhas também é uma garantia importante de subsistência para o presente da comunidade quilombola, que deseja desenvolver ainda mais a criação, para que seja possível também vender e aumentar a renda das famílias. Antes as galinhas eram criadas soltas, o que fazia com que fossem mais vulneráveis ao ataque de cobras e a doenças. Hoje, elas são criadas numa área cercada e recebem ração e milho quebrado, que faz com que cresçam mais fortes.

Assim como a resistência, os sonhos na Ilha São Vicente também são grandes. Todos querem muito que a horta e a criação de galinhas tragam bons resultados, para garantir a qualidade de vida e a segurança alimentar de todos não só na comunidade, mas também para todos aqueles que comprarem os produtos que eles pretendem vender. Além disso, os habitantes mais antigos gostariam muito que os jovens permanecessem junto com a comunidade e tivessem cada vez mais oportunidades de estudo. E uma coisa é certa: enquanto há sonho, há horizonte. E quem tem horizonte, não para. A comunidade quilombola da Ilha São Vicente vai chegar longe.

Saiba mais sobre a experiência aqui.


A apicultura da Tonilda e da Helena: dedicação que promove preservação ambiental

Em 1989, foi criado na cidade de Araguatins, ao norte do estado do Tocantins, um Projeto de Assentamento chamado Santa Cruz II. A história da Tonilda nesse lugar começou há 24 anos, quando ela e a família tiveram a alegria de conquistar um lote no assentamento. Já a história da Maria Helena começou um pouquinho antes, 27 anos atrás.

São diferentes as lutas, as experiências, os conhecimentos que marcam as trajetórias destas duas mulheres de garra. Mas uma coisa muito importante na história de vida de ambas é o trabalho com a apicultura. A dona Tonilda, que antes trabalhava só com a roça e quebrando coco babaçu, hoje em dia faz de tudo na apicultura. Corajosa, ela veste o macacão, as luvas e as botas e enfrenta as abelhas sem medo nenhum. Para ela, não tem o que temer, porque se a pessoa estiver bem equipada e agir de maneira tranquila, sem agredir as abelhas, não há perigo de levar picada. E é desse jeitinho, com muito cuidado e dedicação que a Tonilda captura enxames, faz a mudança dos enxames para o apiário, está sempre fazendo a revisão e o manejo das abelhas e colhe o mel.

Os benefícios de tanto trabalho logo começaram a ser percebidos por ela e pela sua família. Além de ser um alimento muito gostoso e saudável, o mel pode ser usado também de maneira medicinal, já que ajuda a evitar gripes e resfriados e também tem poder cicatrizante. Fora isso, a renda da família melhorou muito. A produção é tão boa, que além de usarem o mel para consumo próprio, o que ajuda a economizar, ainda é possível vender o produto a um preço muito bom.

Com o dinheiro que conquistou com a apicultura, a dona Tonilda já conseguiu até comprar uma moto, que a ajuda a transportar os produtos da roça, da quebra do coco e da apicultura até a feira onde comercializa tudo. E o melhor disso tudo é a realização que o trabalho trouxe para a vida dela. Como a própria Tonilda diz, “a gente foi aprendendo e hoje a gente está muito feliz de trabalhar com a apicultura”. Essa alegria se tornou ainda maior quando, com a ajuda do sindicato de trabalhadores rurais, APA-TO e MIQCB, foi construída uma agroindústria, que é utilizada pela família da dona Tonilda e por mais 5 famílias. Depois que a agroindústria chegou, o trabalho de todo mundo ficou mais fácil, porque além de ter mais higiene, também foi possível ter um rendimento maior, já que, por ser um local mais protegido, não é necessário aguardar até de noite para tirar o mel, para não ter risco de atrair as abelhas. Agora, esse trabalho pode ser realizado a qualquer hora do dia e todo mundo sai ganhando. E uma das famílias que se beneficiou da agroindústria também foi justamente a família da dona Helena.

No início, a dona Helena tinha um pouco de receio de trabalhar com as abelhas. Quem fazia a apicultura era o marido dela, seu Francisco.  Eles chegaram a enfrentar algumas dificuldades em épocas que a procura pelo mel não estava muito alta, e, com isso, o seu Francisco acabou desanimando um pouco e pensou até em vender as caixas da apicultura. Foi nesse momento que a Helena assumiu a lida em seu lugar, porque sabia muito bem de todas as vantagens que esse trabalho traz e achava que abandonar a atividade seria um erro. E foi apenas questão de tempo para que ela perdesse completamente o medo que tinha e criasse um carinho gigante pela apicultura. Mesmo que seja exigente dividir o tempo entre a apicultura, o trabalho que realiza na escola e a quebra do coco babaçu, a dona Helena fica realizada e grata demais quando vê as caixas todas repletas de mel.
E além da saúde e da renda, que também melhoraram na casa dela, outra coisa que a apicultura trouxe para a Helena e também para a dona Tonilda foi a preservação e a consciência ambiental. Com a apicultura, as duas viram como o uso do fogo e do veneno nas plantações é ruim, já que pode acabar com enxames inteiros, e perceberam também a importância de manter as árvores no lote, para garantir as floradas para as abelhas e também deixar o ar mais puro e agradável.

Se tem uma palavra que define a experiência da apicultura para a Tonilda e a Helena, essa palavra é aprendizado. A experiência delas foi tão marcante que cresce no coração o desejo de levar esse aprendizado adiante, de fazer com que mais pessoas percebam a importância da apicultura e da preservação ambiental. Que a história dessas duas mulheres guerreiras seja sinal de esperança para nós e nos inspire a buscarmos um mundo cada vez mais justo e fraterno para todos.

Leia o informativo desta experiência aqui.


Conteúdo relacionado: Geral

O mutirão do grupo produtivo do P.A. Mulatos: União de forças e de saberes

Três homens do mutirão trabalhando com uma forrageira Bem ao norte do Brasil, no estado do Tocantins, existe uma cidade chamada Esperantina. E é nesta cidade que se localiza o Projeto de Assentamento Mulatos, mais conhecido simplesmente por PA Mulatos, onde desde 1991, ano de sua criação, aproximadamente 64 famílias moram e trabalham todos os dias. Porém, para quatro dessas famílias, a sexta-feira é um dia diferente dos outros da semana. É neste dia que as famílias do Antônio Conceição dos Santos de Souza, do Natanael Oliveira da Cunha, do Itamar Bispo dos Santos e do Francisco Rodrigues da Silva se reúnem para fazer um mutirão que tem um objetivo muito claro: melhorar a produção de hortaliças.

Este esquema de trabalho, onde algumas famílias se juntam e formam um grupo produtivo, é uma prática até que antiga na região, mas que, com o passar do tempo, foi se perdendo. Porém, felizmente, as famílias do Antônio, do Natanael, do Itamar e do Francisco perceberam a necessidade de se organizar para retomar o mutirão e já faz aproximadamente dois meses que ele vem acontecendo novamente.

Como há 4 famílias no grupo e o mutirão ocorre uma vez por semana seguindo um sistema de rodízio, todo mês, cada família recebe o mutirão em sua casa pelo menos uma vez. Além das sextas-feiras do mutirão, de vez em quando as famílias também combinam entre si algum outro dia para se reunir para pensar o que tem sido positivo e  o que ainda pode ser melhorado para ajudar a todos.

Mas de que maneira o mutirão pode ajudar a melhorar a produção? A resposta é simples e pode ser resumida em uma frase muito conhecida: a união faz a força! Se uma família sozinha, em um dia, consegue levantar no máximo dois canteiros, no mutirão, com a ajuda de mais três famílias, esse número já sobe para cinco ou seis canteiros. Em um dia de mutirão, praticamente todo o trabalho de cuidado com a horta é feito: a área que vai receber os plantios é limpa e capinada, a terra é arada, os canteiros são levantados, o material para fazer a cobertura do solo é triturado e, caso já tenha mudas disponíveis, também é feito o plantio. Assim, a família que recebe o mutirão em sua casa fica com mais tempo livre para poder se dedicar a outras atividades e precisa se preocupar apenas em regar as hortaliças e manter os cuidados com a horta, porque a parte mais exigente do trabalho já foi realizada pelo grupo.

Mas esse não é o único benefício do mutirão. Além de haver união de forças para o trabalho, tem também união de saberes. As quatro famílias falam muito sobre a importância do mutirão para a troca de aprendizado. São famílias diferentes que fazem parte do grupo e, portanto, são também diferentes os modos de vida, as experiências, os conhecimentos que cada uma tem e, dessa maneira, no trabalho conjunto, cada um vai dizendo o que sabe e as quatro vão aprendendo como cuidar melhor da terra, o que fazer para melhorar o solo ou para economizar água na irrigação.

Quatro homens de chapeu e enxadas na mão trabalhando no mutirão

E as mudanças que o trabalho em mutirão traz já estão sendo percebidas pelas 4 famílias do grupo produtivo. Para todas elas, aumentou a segurança alimentar, porque agora a garantia de ter um alimento saudável em casa, produzido sem veneno, é bem maior. Fora disso, o mutirão ajudou demais na produção de excedente, porque além de não faltar comida para cada uma das famílias e de economizar dinheiro por não precisarem comprar fora, ainda é possível gerar renda extra a partir da venda dos produtos na feira.

Para isso, o cultivo das hortaliças é muito bem pensado pelas famílias do Antônio, do Natanael, do Itamar e do Francisco. Elas combinam os tempos e tipos dos cultivos entre si para que sempre todas tenham algo diferente para oferecer na feira e, desse jeito, todo mundo sai ganhando. Da mesma maneira que o trabalho, os sonhos das quatro famílias do grupo produtivo do PA Mulatos também são grandes e coletivos. Todas elas alimentam o desejo que outras famílias da comunidade se inspirem nessa experiência de compartilhamento de forças e saberes para que o mutirão cresça cada vez mais, sendo sempre sinal de melhoria da qualidade de vida, de resistência e de luta para um povo que, mesmo sendo sempre colocado à margem e enfrentando diversas dificuldades, faz jus ao nome da cidade onde vive por sempre manter acesa a chama da esperança no coração.

Confira o informativo dessa experiência aqui.


Conteúdo relacionado: Geral

Próxima página »


Misereor Ford Foundation TFCA Inter America Foundation FBB Cese Brazil Foundation Fundo Amazônia PPP-Ecos Caritas Associação Nacional de Agroecologia Rede Cerrado FAOR Abong DoDesign-s Design & Marketing