Buscar

Direitos Territoriais


Laís Cardoso: jovem, sem terra e quebradeira de coco

Laís Cardoso no seu trabalho com o extrativismo do babaçu – Fonte: arquivo pessoal

A Luta dos movimentos sociais do Bico do Papagaio  é realizada  por organizações, como o MST, os STTR´s,  o MIQCB,  a COEQTO,  a Rede Bico Agroecológico e  a APA-TO. Essa luta se intensificou, sobretudo, nos períodos de pandemia, aonde se realizou vários eventos, mesmo que online na tentativa de manter a formação política de suas bases. É momento de rebeldia e que eleva a ansiedade das juventudes na região do Bico do Papagaio na defesa dos biomas Cerrado e Amazônia.  Ambos sofrem ameaças dos grandes projetos.

O território dessas populações precisam resistir e é por isso que conversamos com a jovem Laís Cardoso, integrante do Coletivo da Juventude do  MST, moradora da Cidade de Carrasco Bonito, quebradeira de coco e filha de quebradeira de coco. Ela é uma das lideranças da juventude nesse momento complicado em que vive o Brasil: um momento de crises políticas e com o governo autoritário. Leia o bate-papo:

Como surgiu a ideia de articulação da juventude do Cerrado?

Eu venho de um movimento onde tem muito comum a linha política e o compromisso da juventude na luta pela terra, na defesa do nosso território, na contribuição com a construção dos assentamentos e acampamentos populares como uma fortaleza e o anúncio do “Bem-Viver” produtivo; embelezado; lúcido; alegre e combativo.

Nos comprometemos a organizar os “coletivos de juventudes” enquanto forças vivas dos nossos territórios a partir das várias dimensões e formas da agroecologia trabalho e renda auto-organização nas escolas, comunicação, cultura, esporte e lazer entre outras. Iniciativas que respondam às necessidades da nossa juventude estimulando a permanência desses jovens no campo; a injeção nos diversos setores e frentes do movimento e da reforma agrária popular. Militantes, dirigentes e quadros políticos jovens para nossa organização e luta de classe, a partir de uma prática que alia a formação política, cultural e técnica à luta e ao trabalho de organização do povo.

Na região onde você mora, no estado do Tocantins, Bico do Papagaio, um local onde tem também o Bioma Amazônia. Como é essa questão das disputas territoriais também no Bioma Amazônia, onde vocês se articulam?

Acredito que nas demais regiões do estado e do país nosso principal opositor é o agronegócio. Porque está mais que comprovado que ele não doou e não produziu nenhum alimento e o que produziu, foi para exportação. Quem está produzindo são os povos do campo; são as comunidades tradicionais. Somos nós aqui do Bico do Papagaio. A gente enfrenta uma ameaça direta: que é um plano de expansão territorial. Esse plano macabro é um projeto de morte, que é o “Matopiba”, que se implementado por completo, nós teremos 99,96% do nosso Cerrado, do nosso bioma Amazônia destruídos, aqui da região, aumentando assim a seca, a fome, a destruição da terra, dos nossos territórios, o aumento das doenças  pelo envenenamento com o uso de agrotóxico, que é usado nas práticas agrícolas desse projeto. Então, a gente enfrenta diretamente essa realidade, que a grande mídia é amiga. E a gente, que está dentro das áreas não esquece, a gente que está dentro agora não tem como esquecer, não tem como deixar de se denunciar isso, porque são milhares de pessoas morrendo. São milhares de pessoas desabrigadas, são milhares de pessoas passando fome, eu não falo só da região do “Bico”, eu falo de todo o país. Então, eu acredito que nosso principal oponente nesse momento é agronegócio.

Como fazer com que outras juventudes consigam se espelhar em vocês, também jovens, para engrossar as fileiras de resistências?

A gente que se compromete a articular e organizar os jovens do campo, em especial dentro de acampamentos e dos assentamentos, tem como uma das prioridades o estímulo à permanência da juventude no campo. E como citei anteriormente, a gente utiliza vários meios, várias formas de comunicação, de arte e cultura, no esporte é no lazer. Mostrar que nossas áreas, nossos territórios são espaços de “Bem Viver”.

Então, a gente tem muito isso aqui no Bico do Papagaio temos também espaços que agrega o jovem de várias etnias, jovens quilombolas, quebradeiras de coco. Mesmo a gente, tem como objetivo articular essa juventude para lutar pelos territórios, então, nós do Jovens em ComunicAÇÃO e do GT, ultimamente se tem trabalhado fazendo vínculo da juventude do campo e cidade. Essa juventude trabalha com agricultura urbana trabalhando técnicas de hortas orgânicas e tem-se trazido também as nossas experiências para o campo. E isso é uma contínua troca de experiências para fazer com que essa juventude continue nas nossas atividades acreditando que o campo é um espaço onde vive e é o nosso espaço, por onde se deve lutar. Então, temos várias atividades que configuram nossa articulação para que essa juventude permaneça nesta trincheira de luta.

Sabe-se que é a esperança que mantém a luta de vocês. É possível caracterizar algumas conquistas nesse momento? Quais?

Encontramos sim, pontos positivos. Nós estamos nos preparando aqui no Bico do Papagaio com toda essa situação. Infelizmente vários companheiros tombaram por conta desse vírus, mas, nós temos aqui hoje no “Bico” uma juventude que está se erguendo, que está se articulando… A juventude quebradeira de coco em sintonia com a juventude quilombola, em sintonia com a juventude acampada, com a juventude assentada, sintonia com a juventude indígena sempre se articulando para estar contribuindo nas áreas, nas formações, nos conhecimentos.

A gente tem encontrado isso muito presente, nesse período, mesmo distante a gente tem encontrado isso muito presente. Tem-se alavancado e muitos aos setores de produção é a juventude do campo produzindo e esses alimentos que estão produzindo, alimentos que não são utilizados agrotóxicos nos alimentos produzidos com práticas agroecológicas estão chegando até a cidade aos setores periféricos da cidade que estão sofrendo muito com essa crise, estão chegando as aldeias também, estão chegando às comunidades quilombolas. E a gente tem tido esses pontos positivos.

A articulação da juventude aqui no Bico do Papagaio, através desses grupos que estão se formando os GT das juventudes e o também os Jovens em ComunicAÇÃO, que já citei anteriormente e também os nossos setores de produção, sempre produzindo que a gente tem para gente, sempre é esse lema, sempre essa palavra de ordem, que não queremos mais mortes, nem pelo vírus e nem pela fome.

 


Ação Solidária que brota do campo: Redes de Agroecologia entregam kits de higiene e cestas básicas

A última semana do mês de agosto foi marcada por uma ação realizada nas comunidades rurais e na cidade por meio da ‘Semana Agroecológica’, em que reuniu organizações e movimentos sociais que compõem a Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA) e a Rede Bico Agroecológico.

Uma das principais ações realizadas durante o evento foi a entrega de kits de higiene e cestas básicas, atividade articulada por organizações que trabalham diretamente com as camponesas, agricultores, quebradeiras de coco, quilombolas e povos indígenas. A ação de solidariedade estão ocorrendo em toda as regiões do estado por meio da ATA, e especificamente, na região do Bico pela Rede Bico Agroecológico contribuindo com as famílias  do campo e da cidade vulneráveis neste período de pandemia.

O estado do Tocantins desde o início confirmou quase 50 mil casos de Covid-19, de acordo com o site ‘Coronavírus Brasil’. Atualmente o estado permanece na zona vermelha de contaminação. E, mesmo com o afrouxamento das medidas de isolamento, as organizações envolvidas propagam que a pandemia ainda não acabou! E para relembrar desse assunto e conscientizar centenas de famílias agricultoras e da cidade, as organizações entregaram não só as cestas básicas, mas também kits de higiene.

Centenas de famílias foram beneficiadas com material de higiene e cestas básicas.

Ações de solidariedade  na região do Bico do Papagaio

Durante todo o mês de julho e agosto foram entregues 747 kits de higiene, 400 doados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e 347 organizados pela APA-TO e a Rede Bico Agroecológico, com o apoio da MISEREOR, IAF e Instituto Dominicano de Justiça e Paz no Brasil.

720 litros de sabão líquido e 1041 máscaras, produzidas pelas quebradeiras de coco e camponesas, foram organizadas dentro dos kits produzidos pela APA-TO. 29 comunidades rurais de 13 municípios (Esperantina, Buriti, Praia Norte, Augustinópolis, Carrasco Bonito, Axixá, Sítio Novo, São Miguel, São Bento, Tocantinópolis, Araguatins, Sampaio e São Sebastião) puderam receber os kits.

Quilombolas, acampados, povos indígenas Apinajés, assentados, pequenos proprietários, quebradeiras de coco e famílias das cidades foram beneficiadas com os kits, totalizando 2988 pessoas das 747 famílias. Dessa forma, vale ressaltar que os camponeses e camponesas têm feito atos de solidariedade em meio à pandemia.

Os kits de higiene tinha sabão líquido, água sanitária, álcool, três máscaras e panfletos informativos sobre autocuidados neste tempo de pandemia.

Durante a Semana Agroecológica, uma live foi realizada com povos e comunidades tradicionais e camponeses.  Maria do Socorro, quebradeira de coco e coordenadora geral da ASMUBIP,  expressou as lutas diárias dos camponeses e explicou as necessidades existentes neste momento de pandemia.

“A solução que nós encontramos na região do Tocantins no combate as grandes empresas do agronegócio, e o projeto MATOPIBA (que é tudo a mesma coisa) é a agroecologia. Produzimos e levamos para o mercado e dissemos esse aqui é o verdadeiro produto que tem segurança e que pode se alimentar com firmeza que não tem agrotóxico. Além da agroecologia produzida sem veneno que sustenta uma coisa com segurança é o meu pé de caju lá da minha roça, é o meu pé de manga, é as minhas palmeiras e os ovos que as minhas galinhas botam. Isso sim é segurança alimentar”.

Segundo ela, segurança alimentar é continuar nessa linha de produção agroecológica. “Continuar a mostrar os nossos produtos agroecológicos para que todo o pessoal que consumir o nosso produto, sentir que o nosso produto é saudável. Embora seja pouquinho, mas é do pouquinho que se vai ao grande. Para o pessoal saber que é outro gosto. Eu não coloco veneno na minha terra por isso meu açude é limpo. Isso sim é saudável e sustentável”, finaliza Maria.

O ato de solidariedade ocorreu durante a Semana Agroecológica.

A Maria do Socorro, relembrou sua participação na Semana Agroecológica e afirma ainda que o momento foi importante porque ela pôde apresentar os trabalhos desenvolvidos pela agricultura familiar, quebradeiras de coco e demais camponeses.

“As contribuições nossas com a APA-TO e também com a ATA e Rede Bico Agroecológico, melhora as nossas atividades. Esses produtos entregues às famílias vêm de origem extrativista e também da agroecologia. É muito importante a gente distribuir cestas de alimentos, são atos de prevenção, pois evita formas de contágio do coronavírus. Por isso preferimos produzir e entregar cestas com os produtos agroecológico”.

O Antônio Barbosa, presidente da ASBB do Projeto de Assentamento Ouro Verde, deixa um recado: “As cestas têm comida, mas também segue um kit de higiene com sabão feito com babaçu e três máscaras, além do álcool gel e água sanitária. Nós não estamos sozinhos. Estamos juntos e unidos no combate a pandemia”.

Indígenas também foram beneficiados, além de quilombolas, quebradeiras de coco e demais comunidades rurais.


Pesquisa aponta impactos do Coronavírus nas Comunidades Rurais do Bico do Papagaio

Impossível pensar em alimentação saudável sem o trabalho da produção agroecológica realizado pelas famílias que vivem nas comunidades rurais. Mas, já  pensaram como este trabalho é tão importante para quem vive no campo e na cidade? E, nesse momento de pandemia, como os agricultores camponeses têm sido afetados diretamente e  quais dificuldades essas famílias e comunidades enfrentam?

Para saber dessas e demais informações do que está acontecendo com as famílias agricultoras durante este período de pandemia, moradoras e moradores de três comunidades rurais relataram os desafios encontrados e falaram como o poder público pode contribuir diretamente com os camponeses.

Elizete da Costa Souza é residente do povoado de Juverlândia, município de Sítio Novo. Segundo ela, o impacto da pandemia começou no momento em que as famílias não puderam mais comercializar as produções agroecológicas. “Com a pandemia, as feiras que as pessoas vendiam os produtos fecharam. As escolas que eram um dos principais compradores para a alimentação escolar, também pararam. Mas aos poucos, a gente começou a ver outras possibilidades por meio de parcerias com as organizações”.

A jovem afirma ainda, que atualmente os problemas se expandiram. “Depois de cinco meses, o que a gente vê é boa parte dos moradores não obedecendo as regras de distanciamento social, uso de máscaras e evitar sair de casa. Minha sugestão é que o poder público passe a fiscalizar mais”, ressalta Elizete.

Com a pandemia a comercialização da produção agroecológica reduziu gerando insegurança as famílias.

Dados sobre impacto da pandemia nas comunidades rurais

A partir de diversos relatos como o de Elizete, a  APA-TO propôs e construiu uma metodologia de ação à distância a fim de acompanhar as comunidades rurais e diminuir os impactos gerados com a pandemia.  A primeira iniciativa da organização, foi decidir, a partir de março deste ano, (início do isolamento social em várias cidades brasileiras), de suspender todas as atividades presenciais junto aos agricultores e as agricultoras familiares acompanhados pela entidade, como medida de prevenção ao COVID-19 e, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de evitar viagens e aglomerações.

A segunda iniciativa, foi realizar um levantamento com o intuito de compreender melhor esse impacto e responder, principalmente, as demandas emergenciais surgidas dos agricultores familiares em decorrência da pandemia. Assim, durante o período de 27 de abril a 15 de maio os representantes das comunidades rurais, os jovens do GT das Juventudes Rurais e do Coletivo da Juventude do MST, responderam via whatsApp, os questionários.

13 comunidades rurais  de  povoados, projetos de assentamento, acampamentos, territórios quilombolas e áreas coletivas de uso da propriedade, responderam o questionário. As comunidades que participaram do levantamento  são dos municípios de São Miguel, Sítio Novo, Axixá, Buriti, Carrasco Bonito, Araguatins e Esperantina.

As comunidades sempre procuraram resistir por meio de manifestações. Nesta pandemia, atos como este não ocorrem mais. (Arquivo – APA-TO)

Nessas comunidades vivem 1.198 famílias, 11% são consideradas do grupo de riscos (são idosos e alguns têm doenças crônicas), um total de 132. De modo geral, as famílias possuem necessidades básicas ou carências, a destacar: dificuldade de acesso a produtos de higiene, falta de alimentos, as pessoas que têm algum tipo de doença não possuem acesso aos medicamentos, além de terem dificuldade de comercializar a produção agroecológica e não terem  acesso ao serviço de saúde.

Os dados do levantamento constataram que neste momento, a maioria das comunidades explica que a produção da safra suprirá no máximo até setembro e, “se preocupam pelo fato de não estarem comercializando a produção em função do fechamento dos mercados institucionais e a suspensão das feiras”, destaca o relatório sistematizado da APA-TO.

O terceiro dado relevante desse questionário, é que 66% das comunidades expõem como um dos grandes desafios, é conter a entrada de pessoas das cidades para usufruir espaços de lazer e de bares nas comunidades. Algo que provoca aglomerações e expõe às famílias rurais aos riscos de contaminação do Covid-19.  Situação destacada por uma das moradoras.

A agricultora de um dos povoados relata que  “nessa pandemia o que mais tem ocorrido é que famílias de cidades vizinhas vêm passar o fim de semana no nosso povoado. A única ação que há da prefeitura é um carro de som que avisa que vai multar quem fizer aglomeração. Mas não há fiscalização e a população também não obedece. Minha sugestão é que tenha fiscalização mais severa”, relata a moradora do povoado de Esperantina.

Em meio à pandemia, as famílias comercializam pouco e buscam alternativas junto as organizações para se manterem.

Inseguranças nas comunidades

Outros fatores de insegurança mais citados: A chegada na comunidade de pessoas de outros estados ou cidades que tenham casos de Covid-19; precariedade das estradas; escassez de água que não permite uma higienização adequada; ausência da visita dos agentes de saúde; dificuldade de conseguir acesso às consultas médicas; pouca atenção da Secretaria de Saúde às comunidades; carência de informações e de assistência dos gestores públicos.

A liderança jovem e um dos responsáveis por aplicar o questionário na comunidade, Antonio Ly, também morador do Projeto de Assentamento Canaã, município de Buriti, expôs a sua percepção após a aplicação do questionário. “O que eu pude perceber é que as famílias têm muitas desconfianças com os poucos insumos de testes que foram disponibilizados para a comunidade. Percebo que além disso, é precária a situação como é feita os testes, pois demora muito sair o resultado. Demora cerca de 10 dias para fazer o exame”, afirma.

O jovem reforça ainda, algo percebido no resultado do levantamento do questionário, que a demora em fazer o exame e os poucos testes disponibilizados às comunidades rurais, também é um dos desafios enfrentados nessa pandemia pelos agricultores. Para ele, as medidas de afrouxamento do isolamento social e o constante aumento de casos de Covid-19 no Tocantins demonstram que as famílias rurais permanecem em uma situação de vulnerabilidade social e com mais possibilidade de contrair a doença.

Além de todas as problemáticas sociais, as famílias não tem infraestrutura e se locomovem com dificuldades devido as péssimas condições das vicinais.

 

Atos de resistência

E em contrapartida e, de modo geral, as comunidades estão desenvolvendo ações de esclarecimento as famílias sobre prevenção ao Covid-19, por meio de conversas individuais, afixando panfletos em locais estratégicos (porta da igreja, sede da associação e tanque de leite) e compartilhando as medidas de prevenção nos status e pelo whatsapp. As principais informações repassadas são: usar máscara e álcool gel; ficar em casa; evitar ir para a cidade; evitar aglomerações; não receber visitas.

Outras iniciativas adotadas é comercializar a produção entre as famílias da comunidade para evitar vender na cidade; suspensão das celebrações e, no acampamento, fechou-se o acesso à comunidade de pessoas de fora da comunidade.

Mesmo diante de tantas alternativas buscadas pelas famílias, os relatos demonstram que os agricultores camponeses, os quilombolas e as quebradeiras de coco não estão sendo assistidas e que somente as medidas comunitárias não são suficientes para diminuir os impactos da pandemia. Enquanto isso, o estado do Tocantins segue na zona vermelha de estados com um dos maiores números de infectados.

Ações de solidariedade entre as comunidades rurais é o que tem motivado e alimentado as famílias em situação de vulnerabilidade social.


Articulação Tocantinense de Agroecologia realiza a “Semana agroecológica” dias 17 a 21 de agosto

 

Com a pandemia, diversas comunidades do campo e da cidade do estado do Tocantins estão passando por dificuldades com a falta de renda e aumento de pessoas doentes com a covid 19. Em ato de solidariedade as comunidades do campo, a Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA), em conjunto com diversas organizações e movimentos sociais do campo e da cidade, organizam a Semana agroecológica: Saberes agroecológicos tecendo vidas e resistências nos territórios no enfrentamento a pandemia, na semana dos dias 17 a 21 de agosto.

De segunda feira (17) a quinta feira (20), haverá doações de cestas básicas e kits de higiene as famílias indígenas do povo Apinajé, acampados e ocupantes de áreas de conflitos agrários na região Tocantinópolis, Araguaína e Palmas. Os alimentos que compõe as cestas básicas, são produtos agroecológicos doados pelas famílias assentadas da reforma agrária e quebradeiras de coco babaçu.

E na sexta feira (21), a partir das 19h, haverá a Live Roda de Conversa dos Povos do Campo: Saberes agroecológicos tecendo vidas e resistências nos territórios no enfrentamento a pandemia. Contando com a participação de representantes dos povos quilombolas, indígenas, sem terras, como também, a participação de Maria Emília Pacheco, representante do Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e Laudovina Pereira, representante do Conselho Missionário Indigenista (CIMI). A Live será transmitida canal Resistência Contemporânea no YouTube e pelos Facebooks da CPT Araguaia-Tocantins e APA-TO.

Um dos objetivos da semana é mobilizar ações de solidariedade das organizações e movimentos sociais que compõe a ATA para com as famílias do campo que se encontram em situação de vulnerabilidade, carência de alimentos e materiais de higiene. Também visa dialogar com a população da cidade sobre a importância da agricultura familiar, além de, dar visibilidade as experiências agroecológicas desenvolvidas nos territórios pelos indígenas, assentados, quilombolas, posseiros, quebradeiras de coco babaçu e atingidos por barragens.

Para enfrentar a pandemia, só com comida de verdade e agroecologia no campo e na cidade!

 


Núcleo de apicultores promove capacitação sobre apicultura para jovens do Projeto de Assentamento Santa Cruz

No último sábado (25) foi realizado pelo núcleo de apicultores do Setor Retiro, com o apoio da APA-TO, um momento de capacitação em apicultura básica para os/as jovens iniciantes do Projeto de Assentamento Santa Cruz dos Setores Retiro, Sede e São Félix, em resposta a demanda de 11 jovens (destes, duas são mulheres). Uma iniciativa que serviu para fortalecer a agricultura familiar e a agroecologia em meio à pandemia.

Com uso de máscaras, álcool gel e com todos os cuidados necessários recomendados pelas autoridades de saúde, os jovens iniciantes na atividade apícola, receberam os ensinamentos com as contribuições de apicultores experientes da comunidade. “Consideramos que contribuirá tanto para a capacitação da juventude como para a troca de conhecimento geracional”, explica a assessora técnica da APA-TO.

Os jovens participantes receberam ainda alguns equipamentos básicos, como: macacão, caixa de abelha padrão, fumegador, luvas e cera alveolada para iniciarem a  atividade. “Quem trabalha com apicultura não usa veneno e trabalha com o plantio de plantas para aumentar a florada. Além de preservar as reservas que geralmente são destinadas para serem os apiários (local próprio para criação de abelhas). A atividade é também uma fonte de alimento e renda”.

A atividade contribuiu para fortalecer a organização e a  produção agroecológica na comunidade com o envolvimento de novos jovens

O Francisco Cláudio, apicultor do Projeto de Assentamento Santa Cruz, Setor São Félix, ressaltou a importância da atividade. “É importante que os jovens estejam se envolvendo com esses trabalhos de apicultura porque é um trabalho que vai além de gerar renda para as famílias. Ajuda também a gente estar olhando o nosso meio ambiente que se encontra hoje num período de degradação”.

O agricultor reforçou ainda que é uma satisfação grande contribuir para a formação dos jovens da comunidade. “Assim despertam o interesse nessa nossa natureza. Tira renda sem precisar derrubar. Para mim, é uma importância muito grande e espero que durante este e outros anos possamos desenvolver mais trabalhos, e eu vou estar aqui sempre disponível. Eu sempre vou estar disponível para contribuir nesse trabalho de apicultura na região”.

Apesar dos desafios neste tempo de pandemia, a comunidade tem se mobilizado para dar continuidade à produção

Outro apicultor que contribuiu na capacitação da juventude, foi seu Raimundo Carvalho do Setor Retiro. Ele viu nesta ação uma oportunidade de os jovens continuarem o percurso da produção agroecológica.

“Para mim a apicultura é muito importante. Por um lado, tem a agroecologia que a gente vai proteger mais o meio ambiente. O outro lado bom, é que vamos ajudar e incentivar os jovens, e eles contribuem muito com o trabalho da gente. Porque os jovens precisam ser inseridos nesse movimento que nós estamos levantando de novo e contribui com a nossa comunidade”, expõe Raimundo.

A apicultura é um das principais produções agroecológicas das comunidades rurais.

O jovem Ítalo, do setor São Félix, coloca que a apicultura no Setor Retiro veio para ensinar mais. Para ele, a prática da apicultura é comum nos dois setores do assentamento e demais comunidades vizinhas, além de ser muito importante na região do Bico do Papagaio.

“Pois com este encontro a gente troca conhecimento com as comunidades sobre essa prática e aprimora mais nossos conhecimentos sobre a prática da apicultura. Com isso, eu me interessei a participar de um grupo, para poder aprimorar mais meus conhecimentos e trabalhar em sintonia com as abelhas e fazer um pouco de renda familiar”, destaca.

Ítalo ressalta a relevância da atividade em grupo. “Esse grupo é muito importante aqui porque tem muita gente como eu que quer fazer um curso desse e não tem oportunidade. Fazendo o curso posso ter o conhecimento para passar as pessoas que querem aprender sobre essa prática – passar ensinamentos de como é feito e captura de abelhas, criação de mel. O curso é muito beneficente aqui para nós e todo o setor da Santa Cruz”, afirma Ítalo.

Com todos os cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os/as agricultores/as puderam realizar a formação.


16/07/2020

Jovens de comunidades rurais se articulam para permanência no campo e manter a produção agroecologia

Os jovens tem se organizado e buscam diariamente alternativas para manter a produção agroecológica

Pensar em juventudes do campo é desafiador nestes tempos que ameaçam às políticas públicas e as perdas de direitos básicos. Por não haver tanto apoio no meio rural para as famílias, os jovens procuram outras alternativas de trabalho na cidade, o que prejudica significativamente a produção agroecológica, tão necessária para o país.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE) os dados apontam que em 2017 jovens brasileiros correspondia então à 23,4% do total da população. Informações do Censo Demográfico de 2010 apontaram a existência de 8 milhões de jovens rurais no Brasil. Sendo assim, considerando o total de 51 milhões de jovens brasileiros à época (23,4%), a juventude rural compreendia cerca de 15,7% da juventude brasileira.

Porém, ainda em dados preliminares do Censo Agropecuário de 2017 aponta o envelhecimento da população rural brasileira, e o censo agropecuário anterior (2006), indicaram que 17,52% dos agricultores tinham mais de 65 anos. Esta proporção aumentou para 21,4% em 2017.

A produção agroecológica na comunidade permanece ativa nestes tempos de pandemia.

Em 2019, a APA-TO realizou uma pesquisa para compreender os sonhos das juventudes rurais e construir junto com a juventude caminhos para a sua permanência no campo, por meio de questionário e rodas de conversas.    Participaram da pesquisa 245 jovens quilombolas, quebradeiras de coco, acampados e assentados de 44 comunidades rurais

Segundo a pesquisa, as condições de trabalho para as juventudes rurais no Bico de Papagaio, assim como no cenário brasileiro, não são fáceis. “Há informalidade, desemprego, trabalho precário. Ainda existe uma desvalorização do papel dos jovens e das jovens, e sua atuação não é considerada trabalho, apenas ajuda”.

Mesmo diante de todas as dificuldades, as juventudes das comunidades rurais do Bico do Papagaio resistem por meio da produção agroecologia, algo pontuado no levantamento da APA-TO. “Produzir no campo, cuidar da natureza e promover saúde e bem-estar para toda a comunidade. Informam ainda, que 51,9% dos jovens produz sem agrotóxicos e 74,2% considera a produção agroecológica melhor”.

O azeite de coco babaçu e as hortaliças são um dos principais produtos de comercialização das famílias

Resistência

O Território do Bico do Papagaio – TO é um exemplo de como as juventudes rurais tem sido prejudicada com a perda de direitos, mas que resistem, buscando alternativas para se manter no campo. A jovem agricultora e quebradeira de coco da comunidade de Olho D’Água, município de São Miguel, Maria Divina Paixão, de 28 anos, casada e mãe de dois filhos, afirma que organização da produção agroecológica, neste período de pandemia, tem sido feita com o envolvimento de todas as famílias da comunidade.

“Neste período de pandemia o azeite de coco babaçu tem sido o nosso principal produto agroecológico. É a maior procura do momento. A APATO tem nos ajudado muito com a venda do azeite de coco babaçu. Da última vez, vendemos 316 litros de azeite de coco babaçu para colocar na cesta agroecológica distribuídas às famílias que mais precisam na pandemia”, relata.

O jovem agricultor Leonardo Santos, 22, casado e pai de um filho, também da comunidade Olho D´Água, explica que apesar das inúmeras dificuldades, ele participa de duas iniciativas que mobbilizam jovens das comunidades rurais. “Temos dificuldade de permanecer no campo junto com nossas famílias. Mas nós resistimos. Tenho participado do curso ‘Jovens semeando agroecologia’, iniciado em agosto de 2019 e criamos o Coletivo da Juventude dos Calistos. Com essas duas ações temos motivado a juventude em contribuir com a produção agroecológica”.

Os jovens contribuem diretamente com a produção agroecológica

Maria e Leonardo ressaltam que as ações de intervenção têm mobilizado a juventude da comunidade, desde a produção até a comercialização, que agora já podem vender em feiras do município de São Miguel. Porém neste período de pandemia, as feiras foram suspensas, mas mesmo assim as famílias ainda conseguem vender na banquinha da comunidade instalada na cidade ou entregar alguns produtos para as pessoas que solicitarem.

A produção principal das famílias da comunidade de Olho D´Água são os cultivos de horta, milho, mandioca, banana, caju, cupuaçu e azeite de coco babaçu. Leonardo relatou que antes da pandemia, a população de São Miguel comprava diretamente os produtos agroecológicos de Olho D’Água “por não ter uso de veneno [agrotóxicos]”.

Os jovens relatam seus sonhos em meio aos inúmeros desafios que devem ser enfrentados dia a dia: “Ter uma escola pública para as crianças e adolescentes, que haja mais valorização do trabalho desenvolvidos pelos camponeses e que as autoridades criem outras formas de comercializar a produção agroecológica”.

Uma das solicitações das mães jovens das comunidades rurais é que tenha no território uma escola pública para seus filhos


Em meio à pandemia, produção agroecológica vira cestas básicas para alimentar famílias do Tocantins

Famílias do Projeto de Assentamento (PA) Santa Helena receberam as cestas básicas com produtos agroecológicos

A agroecologia é vida e geram produções de alimentos que visam o bem-estar e a conservação da biodiversidade. É a promoção sustentável da agricultura, sem o uso de contaminantes e que contribuem diretamente para o acesso à alimentos saudáveis para a sociedade.   Essa é a luta diária de centenas de agricultores familiares de comunidades rurais, quilombolas e quebradeiras de coco da região do Bico do Papagaio.

Atualmente no país o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) liberou, somente de janeiro 2019 a maio de 2020, 551 agrotóxicos (uma média de liberação de dois por dia). No entanto, em meio à pandemia, ato de resistência ocorrem diariamente a partir da distribuição de cestas básicas com produtos agroecológicos, produzidos por agricultores familiares.

Nesta última etapa 200 famílias foram beneficiadas, dos municípios de Axixá, São Bento, São Sebastião, Araguatins e Esperantina

A exemplo, pode ser citado a última ação da Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO) que ao lado de assentados, quebradeiras de coco, quilombolas e agricultores organizados na Cooperamazonia e na  COOAF-Bico , resolveram distribuir cestas básicas a centenas de outras famílias que estavam sem alimentação nesse período de pandemia.

A presidenta da Cooperativa de Produção e Comercialização (COOAF-Bico), de Esperantina, Maria Senhora Carvalho da Silva, relata que a ação foi oportuna e que as organizações APA-TO e a Rede Agroecológica contribuíram de forma significativa com as famílias da região do Bico do Papagaio. “É uma ação muito e que realmente chegou na hora certa que nós precisávamos. Chegou na hora que todos aqui precisavam vender suas produções, e ajudou muito aqueles que estão recebendo e aqueles que venderam os produtos da agricultura familiar”.

Famílias da Comunidade Santa Luzia também foram beneficiadas

Maria ressalta ainda que a ação foi muito válida e todos ficaram muito gratos tanto das ações da organização da Rede Bico, quanto das ações dos agricultores ajudar uns aos outros. “Foi uma boa hora que serviu para as organizações e comunidades. Foi importante para refletir que só vai ter uma comercialização justa, se tiver organização da produção: desde a organização até a comercialização. Foi muito bom esse acontecimento”, explica.

Nessa terceira e última etapa de entregas, 200 famílias beneficiadas, dos municípios de Axixá, São Bento, São Sebastião, Araguatins e Esperantina. O Morador do Projeto de Assentamento Santa Cruz 2 (município de Araguatins), o jovem Matheus Santos Filho, técnico em agroecologia, expressou seus agradecimentos relembrando todas as suas vivências no assentamento.

A ação beneficiou agricultores familiares e comunidades em situação de vulnerabilidade social

“Sou filho de agricultor, me considero um jovem agricultor no campo que mora no campo, e permaneço trabalhando. A partir da ação da Fundação do Banco do Brasil, juntamente com a APA-TO e a Rede Bico eu fui um jovem que foi beneficiado, tendo a oportunidade de vender os produtos produzidos da propriedade dos meus avós, produtos completamente agroecológicos”.

Segundo ele, uma ação dessas motivam mais os jovens a permanecer no campo, trabalhando de forma sustentável e dando continuidade a sucessão rural. “É muito importante uma ação como esta porque incentiva o jovem cada vez permanecer e lutar por direitos iguais e além disso contribuir com diversas pessoas que estão necessitando de alimentos, pois muitas famílias tiveram dificuldades diante da pandemia. Além disso, são produtos agroecológicos, significa que está garantindo um alimento de qualidade na mesa de diversas pessoas que estão sem alimento e que agora estão sendo beneficiados com esses alimentos sem uso de agrotóxicos”.

Ressaltou ainda que a maioria desses alimentos que são consumidos são produzidos pela agricultura familiar, porém as pessoas não veem e não é muito divulgado. “Várias pessoas acham que tudo vem do agronegócio. É muito importante mostrar o quanto a nossa região tem um grande potencial. Tem agricultores que produzem de forma sustentável, e sua produção podem chegar à mesa de milhares de brasileiros”, conclui Matheus.

A APA-TO contou com o apoio da Fundação Banco do Brasil e organizações da Rede Bico Agroecológica e MST

Fotos: APA-TO e MST

Saiba mais como foi as etapas anteriores e como realizar suas doações à Fundação Banco do Brasil (FBB).

Conheça a Rede Bico Agroecológica e demais parceiros da APA-TO. 


Cestas básicas agroecológicas geram renda a agricultores e quebradeiras de coco do Bico do Papagaio

Devido à pandemia, os agricultores estavam sem poder vender a produção agroecológica.

“A importância do projeto, nesse tempo de pandemia, é que veio para beneficiar as quebradeiras de coco, porque como nós tiramos azeite e estávamos com dificuldade de vender nosso produto, agora tivemos a oportunidade de vender. Vendemos o azeite de babaçu para colocar nessas cestas, e vão ajudar muitas famílias que precisam. São produtos de qualidade porque nós trabalhamos de forma agroecológica e sem uso de veneno. Tentamos fazer sempre o melhor para todas as famílias dos assentamentos. Nós temos o maior prazer de estar trabalhando e poder contribuir com as famílias que estão recebendo as cestas”.

O depoimento motivacional de dona Tonilda Araújo da Cunha, moradora do Projeto de Assentamento Santa Cruz, setor Campestre, participante da agricultora familiar, assentada e quebradeira de coco, representa a alegria de centenas de famílias de comunidade rurais, urbanas e quilombolas que vivem na região do Bico do Papagaio. Essas famílias foram beneficiadas com cestas montadas com produtos agroecológicos, entrega ocorreu na sexta (5) e sábado (6).

A ação iniciou no dia 29 de maio e desde então tem sido distribuída a partir da organização da APA-TO. Nessa segunda etapa de entregas, mais 200 famílias foram beneficiadas com os produtos. Os produtos da cesta foram comprados dos próprios agricultores, com o objetivo de proporcionar renda às famílias. Ação foi pensada, a partir do início do isolamento social devido à pandemia.

A entrega de cestas básicas beneficia centenas de agricultores de Araguatins, São Bento e São Sebastião.

Os agricultores foram diretamente impactados com a redução das possibilidades de comercializar a sua produção, pois houve o fechamento das feiras como medida para evitar aglomerações, suspensão das aulas presenciais e que por isso não há compra de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar, além da restrição de deslocamento em função da medida do distanciamento social para comercializarem a sua produção na cidade. Iniciativas como esta, contribuem para manter a dinâmica da economia local e evita que agricultores fiquem em situação de vulnerabilidade social.

Com a compra dos produtos agroecológicos, 1200 cestas foram organizadas para serem entregue a 600 famílias, um total de 21 toneladas de alimentos. Dessa vez, as cidades beneficiadas foram Araguatins, São Bento e São Sebastião.  Somam um total de 34 comunidades alcançadas pela atividade.

A ação foi organizada pela ONG APA-TO (Alternativas Para a Pequena Agricultura no Tocantins) em parceria com a Cooperamazônia, Cooaf Bico e Rede Bico Agroecológico, com apoio da B Seguros, Banco BV, COOPERFORTE e Fundação Banco do Brasil. O valor investido para esta atividade, que objetiva o combate à pandemia, é de 146 mil.

Esta foi a segunda etapa de entregas das cestas básicas com produtos agroecológicos.

“Aqui no assentamento trabalho com a produção de azeite, mel e na roça como agricultora. Eu não vou receber a cesta, mas fico feliz que muitas famílias vão poder recebê-la. Essa foi minha contribuição: de vender o azeite e receber também uma verba com a venda desse produto. Para mim é muito importante, eu agradeço muito a APA-TO e a nossa cooperativa, estou muito feliz com a realização desse trabalho. Muito obrigada!”, enfatizou donaTonilda.

Os produtos que compõem as cestas são resultados dos trabalhos desenvolvidos pela agricultura familiar, com exceção dos produtos de higiene essenciais neste período de pandemia. Compõe a cesta os seguintes alimentos: arroz, feijão, azeite de babaçu, farinha branca e d´água (puba), tapioca, macaxeira, inhame, polpas de frutas nativas, amendoim, abóbora, laranja, banana e massa de puba. As famílias recebem ainda um kit de higiene pessoal e material de limpeza, produtos essenciais neste período de pandemia do novo Coronavírus: álcool gel, sabonete, sabão de coco e água sanitária.

“Esse momento é histórico aqui na nossa comunidade. Pela primeira vez estou vendo ser distribuído cestas com vários produtos do agricultor familiar. O produtor está de parabéns, porque encontrou um momento que teve seus produtos valorizados, e isto está sendo apresentado aqui pela APA-TO e outras instituições que formam a Rede Bico. Que bom seria se a gente pudesse estar vendendo sempre os nossos produtos e sendo reconhecidos pelos próprios agricultores”, destacou o Sr. João Batista do Projeto de Assentamento Santa Cruz Setor Quatro Bocas.

As cestas básicas contam com o apoio financeiro da Fundação Banco do Brasil.

O coordenador da Cooaf-Bico, ressaltou ainda que no assentamento muitas pessoas não sabiam que os produtores (agricultores familiar) conseguiriam entregar produtos de qualidade, bem embalados e com boa aceitação. Segundo ele, tudo está sendo e foi bem organizado.

“Não é fácil a gente produzir aqui porque falta recurso, mas com a força de vontade que a gente tem, a gente consegue. Percebo que as pessoas que estão recebendo essas cestas, estão agradecendo e gostando dos produtos. E os produtores estão de parabéns porque puderam vender um pouco da sua produção. As pessoas que receberam estão ficando felizes porque as cestas são boas”, explicou.

Famílias do Projeto de Assentamento Santa Cruz, setor Esquinão, também foram beneficiadas.

 

 

 


7/06/2016

Comunidades Quilombolas de Esperantina conquistam seu reconhecimento

Comunidade Prachata

Comunidade Prachata

No dia 02 de Junho, no Município de Esperantina, foi entregue aos familiares e representantes das Comunidades Quilombolas Prachata, Ciriáco e Carrapiché à Certidão de Autodefinição, emitidas pelo Ministério da Cultura e Fundação Cultural Palmares .  SAIBA MAIS »


9/05/2016

CPT lança documentário sobre o MATOPIBA

logo matopiba

Acaba de ser lançado nas mídias sociais o documentário “ MATOPIBA” , é uma realização da Comissão Pastoral da Terra – CPT / Regional Araguaia – Tocantins , uma produção audiovisual de Gustavo Ohara, realizado a partir do I ENCONTRO REGIONAL DOS POVOS E COMUNIDADES DO CERRADO, promovido pela CPT, entre os dias 23 e 25 de Novembro de 2015, em Araguaina-TO, aonde os Camponeses(as), Agricultores(as) Familiares, Povos Indígenas, Quilombolas, Geraizeiros(as), Comunidades de Fundos e Fechos de Pasto, Pescadores(as), Quebradeiras de Coco de 04 estados se posicionam contrários ao Plano de Desenvolvimento do MAPA, denunciando o agronegócio, o hidronegócio, a mineração, a grilagem de terras e a destruição ambiental do Bioma Cerrado nos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. SAIBA MAIS »


Próxima página »


Misereor Ford Foundation TFCA Inter America Foundation FBB Cese Brazil Foundation Fundo Amazônia PPP-Ecos Caritas Associação Nacional de Agroecologia Rede Cerrado FAOR Abong DoDesign-s Design & Marketing